Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Falar e diversidade

No Império Romano, a língua oficial era unicamente o latim, contudo este era dividido em dois nichos: o latim erudito, reservado para uma classe abastada da nobreza, e o latim vulgar, aquele qual circulava entre os demais cidadães. Roma passou por um processo significativo de expansão e não somente expandia-se o território como também o alcance de sua cultura. Com isto, o latim vulgar se espalhou pela região da Europa, passando por transformações que originaram a maioria das línguas que usamos nos dias atuais, inclusive o próprio idioma brasileiro. Ou seja, em suas raízes, o português nada mais seria do que uma língua popular.

Ainda assim, no Brasil, sofremos com o preconceito linguístico, em que a maneira que nos comunicamos, algo extremamente pessoal e com influências regionais, é julgado e erroneamente reprimido para se encaixar em um padrão contraditório com a própria origem da língua. Existe uma desconsideração da pluralidade cultural do extenso território brasileiro visualmente marcante, indo de regiões quase desérticas até a maior floresta tropical do mundo. Não só a vegetação, como também a população é diversa, devido aos vários processos de imigração, como podemos observar em bairros de São Paulo como o Brás, majoritariamente de imigrantes italianos, e a Liberdade, japoneses.

Por outro lado, na literatura, já houve contestações para este esforço em padronizar algo tão multiforme como a língua portuguesa, durante a Primeira Geração Moderna, iniciada na Semana de Arte Moderna de 1922. Nesse período, grandes escritores como Oswald de Andrade e Mário de Andrade, defendiam com veemência a aproximação da escrita com a fala, até então distantes uma da outra. O que rendeu obras como Macunaíma de Mário de Andrade e Os sapos, poema de Manuel Bandeira. Os reflexos dessa luta por uma escrita mais oral podem ser observados, por exemplo, em revistas e anúncios que dispensam o uso formal para obter uma conexão com o leitor.

Enfim, o preconceito linguístico é um ato de ignorância e extremamente inconsistente. Para combater esse tipo de comportamento, é eficaz ensinar nas escolas sobre o assunto, apresentar em sala a diversidade da nossa cultura. Para isto, é necessário disponibilizar aos professores aparatos para lidar com esse novo meio de educação da linguística, como pós graduações e outros cursos orientados a lidar o idioma e suas faces, além de um órgão especializado do governo, tal como a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, criada em 2002 para garantir os direitos femininos. Assim, assegurar legalmente a coexistência de dialetos auxilia no processo de democratização do português brasileiro, evitando sua discriminação.