Preconceito Linguístico

Enviada em 10/09/2020

Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano sofre preconceito linguístico pelo seu modo de falar e também por ser analfabeto, o que segundo seu patrão “Seu Tomás da Bolandeira”, o condenava a uma vida de miséria. Nesse sentido, ainda que esse livro fosse do início do século XX, essa realidade de opressão pela linguagem ainda é um problema no Brasil, sendo indispensável que se desconstrua o pensamento que só o Português formal é o correto, como previsto no artigo 3 da Constituição Cidadã. Dessa forma, não só pode-se ressaltar a o contexto histórico, como também a normalização desse julgamento.

Primeiramente, desde o advento das Grandes Navegações e da chegada dos portugueses à América, instaurou-se forçosamente um novo dialeto, com o intuito de superiorizar o Português Europeu em detrimento de outras formas de linguagem, como o Tupi e o Guarani. Com isso, desde a formação do que se conhece como Brasil, o preconceito linguístico é utilizado para inferiorizar os regionalismos, as gírias e qualquer expressão que não sejam conforme a norma padrão, normalmente, usada pela elite que tem maior escolaridade. Entretanto, em 1922, uma nova corrente chegou para desconstruir o preciosismo vocabular, esse foi o Modernismo, que queria dar voz a marginalidade e a simplicidade de grande parte da população, porém esse movimento não foi bem visto na época.

Em segundo viés, tem-se a normalização da opressão pelo linguajar, como se observa na “Turma da Mônica”, uma revista infantil, na qual o autor, Maurício de Sousa, humoriza o fato de Cebolinha trocar “r” por “l”. Porém, esse bullying feito ao personagem é decorrente de uma doença chamada Dislalia, que é relativizada pelos cidadãos, assim como outras formas de preconceito linguístico. Desse modo, que esse problema está enraizado no Brasil, sendo presente até dentro da matéria de Língua Portuguesa, quando se utilizava a nomenclatura de “culto” para identificar algo escrito ou falado gramaticalmente correto.

Portanto, o preconceito linguístico deve ser subtraído da sociedade brasileira, visto o seu histórico de inferiorização de pessoas, como também a normalização desse julgamento errôneo. Logo, cabe ao Ministério da Educação, coordenado por Milton Ribeiro, substituir a ideia de que há um jeito certo ou errado de se falar, por meio de um projeto nas escolas que englobe pais, alunos e professores. Isso será feito a fim de que mais pessoas tenham o conhecimento de que nenhum dialeto é melhor do que o outro, antes que mais “ Fabianos” e “Cebolinhas” sofram bullying ou qualquer forma de opressão pelo seu modo de expressar, o que é um crime a diversidade cultural do país.