Preconceito Linguístico

Enviada em 08/09/2020

São Tómas de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão do preconceito linguístico diverge do ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, muitos grupos, em função do jeito de falar, são vítimas de discriminação constante. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange ao problema do assédio linguístico, que persiste influenciado pelo legado histórico e pela má influência midiática.

Convém ressaltar, a princípio, que o passado opressor é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio dos entendimentos dos eventos históricos. Nesse sentido, a intolerância à diversidade linguística, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro marcado pela supervalorização da elitizada gramática normativa presentes nos grandes clássicos da literatura nacional, como as obras de Machado de Assis.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a reprodução de preconceitos e esteriótipos pela mídia brasileira. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que os meios de comunicação, em vez de promover a pluralidade linguística do país, priorizam a adoção da norma culta nas suas produções e quando representam outras formas da língua, elas são apresentadas ceias de sátiras e esteriótipos, de modo a ridicularizar e oprimir os grupos que as utilizam.

Diante dos fatos mencionados, medidas cabíveis devem ser tomadas. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, promover a valorização da diversidade linguística brasileira por meio de palestras com especialistas no assunto e de vídeos divulgados nas redes sociais que evidenciem a importância da língua como uma forma individual e variada de se expressar no contexto sociocultural. Essa proposta terá o objetivo de ampliar a representatividade, o respeito e a empatia aos modos diferentes de se comunicar. Somente assim, será possível o tratamento mais igualitário  como proposto por São Tómas de Aquino.