Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma” é retratado o preconceito enfrentado pela língua Tupi, considerada pelos personagens do livro como “inferior à portuguesa”. Fora da ficção, observa-se, na atualidade, realidade análoga à abordada na obra literária: as variações regionais da língua são marginalizadas e consideradas inferiores à norma culta da linguagem. Dessa forma, deve-se entender como o domínio das elites sobre a cultura e a falta de informação interferem na problemática em questão e como resolvê-la.

Em primeira análise, cabe abordar como a elitização cultural contribui para o preconceito linguístico na atualidade. Isso porque, segundo o Físico Albert Einstein, é mais fácil dissipar um átomo do que desfazer um preconceito. Tal perspectiva faz-se assertiva nos dias atuais: desde o início das colonizações, as elites dominaram a cultura e estabeleceram sua linguagem como a única correta. Em decorrência disso , o preconceito permeia por séculos, como previsto por Einstein, visto que as variações linguísticas que  fogem ao modelo padrão  são tidas como inferior à norma culta  e seus falantes, sobre tudo os mais pobres, são discriminados e marginalizados socialmente.

Ademais, outro fator que contribui para o preconceito linguístico atual é a falta de informação cultural. Nesse sentido, o filme “Jeca Tatu” aborda um personagem simples e caipira considerado ignorante por seu modo de falar. Paralelamente, a realidade assemelha-se ao longa: a ausência de uma educação cultural efetiva que destaque a origem das variações na língua e sua importância identitária impede que os diferentes falares e seus praticantes sejam bem aceitos pela sociedade. Consequência  disso, as diversificações na língua não são integradas como aspecto cultural dos países, mas ao contrário, são reprimidas e consideradas como sinalizador de ausência do conhecimento intelectual.

Fica claro, portanto, a necessidade de um debate a nível Internacional sobre o tema. No Brasil, cabe ao Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Educação promover uma solução para a problemática. Para isso, a criação de propagandas, teatros ao ar livre, entre outras atividades lúdicas que explorem as variantes linguísticas de todas as regiões do país e estimulem o fim do preconceito com a língua é fundamental. Além disso, o treinamento de profissionais que lecionem, nas escolas, palestras aos alunos e familiares com a temática da importância cultural das variações de linguagem no país é indispensável. Dessa forma, será possível garantir um país mais tolerante, impedir que o preconceito permeie os tempos, como previsto por Einstein, e assegurar que situações como a descrita em “Triste fim de Policarpo Quaresma” não se repitam na atualidade brasileira.