Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Preconceito é uma opinião sobre determinado assunto que foi construída a partir de uma análise sem fundamento e vem acompanhado de um sentimento de superioridade e desinformação. A língua portuguesa, apesar de ser um dos elementos que representa a cultura brasileira e passa por diversas transformações, torna-se um alvo das pessoas que não possuem informação sobre a variedade linguística. O preconceito linguístico está ligado a confusão que acontece entre língua e gramática normativa e resulta na discriminação, retirando o direito de fala de muitas pessoas que não se expressam de acordo com a norma padrão.
Segundo o Censo Escolar, matriculas na área da educação infantil cresceram em 12,6% nos últimos cinco anos, no entanto, esses dados não asseguram que todas as crianças tenham oportunidades igualitárias na qualidade de ensino, uma vez que as escolas impõem a norma padrão da língua portuguesa ao aluno e desconsidera as condições de vida e estrutura do ambiente em que ele vive. Outro ponto importante a ser ressaltado sobre os ensinos das escolas, é o fato de que exigem esse estudo maçante sobre gramática e todas suas regras, porém não incentivam que o aluno pense a respeito da utilização da língua mostrando que tudo que sabe é levado em consideração, mas que deve ser usado em situações informais e a norma padrão para ambientes mais formais como entrevistas de empregos, concursos, vestibulares.
Em 2010, o Brasil registrou 14 milhões de analfabetos, sendo a taxa de analfabetismo na população rural cinco vezes maior que a urbana, é por meio desses dados que se observa uma meritocracia latente para pessoas da classe média alta que intensificam ainda mais a desigualdade no Brasil. A consequência dessa desigualdade resulta na xenofobia - aversão a pessoas de outra cultura ou país - que se torna ainda mais acentuada por uma imagem estereotipada que a mídia perpetua sobre o Nordeste. Outra ferramenta alvo da intolerância e do preconceito linguístico é o ciberespaço, com a evolução da internet observa-se o crescente uso de gírias e abreviações, mas não significa que o usuário não saiba utilizar a gramática padrão quando necessário.
É a partir desses fatos que se mostra necessária uma intervenção das escolas para que tomem uma postura reflexiva sobre seu ensino e a situação de cada aluno presente na sala de aula, além de uma naturalização sobre a diversidade da língua utilizada no cotidiano. Há também a importância do papel da mídia nos programas de televisão, a fim de não dar continuidade ao assédio linguístico e esteriótipos de regiões de cultura diversificadas, promovendo mais informação sobre as diferenças de gramática normativa e língua evitando, assim, a xenofobia.