Preconceito Linguístico
Enviada em 10/09/2020
A questão do preconceito linguístico é um assunto que vem ganhando proporção nos dias atuais, visto que, atualmente, diversos fatores culturais, históricos e sociais acabam sendo esquecidos pela sociedade, uma vez que, o indivíduo é julgado somente pela maneira que fala. Dessa forma, o prejulgamento revela também uma desigualdade social pertencente à comunidade, dado que, cidadãos menos escolarizados são os que mais sofrem com esse tipo de atitude, ou seja, se não falam de acordo com a norma culta, logo, essas pessoas são descartadas de grandes cargos sociais.
Nesse sentido, de acordo com o escritor Marcos Bagno, autor do livro “preconceito linguístico”, não existe uma língua certa ou errada, existem maneiras adequadas ou inadequadas de falar dependendo do contexto. À vista disso, esse pensamento também pode estar atrelado conforme a quantidade de línguas faladas no Brasil, sendo 274 delas somente de etnias indígenas. Posto isso, não há como existir imposições do que é certo ou errado, mas sim, adequações para cada tipo de ambiente, o que torna o preconceito linguístico uma intolerância às diversas culturas brasileiras, uma vez que, tal atitude tenta estabelecer somente uma linguagem correta à população, desvalorizando padrões históricos e culturais de um determinado povo.
Diante disso, nota-se que indivíduos menos escolarizados são os que mais sofrem com esse tipo de preconceito, visto que, tal discriminação origina em ambos o sentimento de exclusão e inferioridade, em razão de se sentirem oprimidos por não conhecerem mecanismos da norma-padrão. Exemplo disso, foi o ocorrido em Serra Negra, São Paulo, em que o médico Gabriel Carpal zombou na internet de seu paciente cujo pronunciou “raôxis” e “peleumonia”. Com isso, é evidente o quanto a população sem acesso à educação sofre com essa forma de distinção.
Portanto, medidas são necessárias para a solução do impasse, visto que, a língua portuguesa não se limita somente à uma norma culta padrão, mas sim, para diversas variantes. Dessa forma, cabe aos professores da língua portuguesa ensinarem nas escolas sobre como adequar a linguagem em diversos contextos, sendo eles formais ou não. Atrelado à isso, é dever da mídia popularizar as variações linguísticas, promovendo programas na TV e rádio sobre os diversos dialetos presentes na língua portuguesa, não somente à forma padrão. Assim, o preconceito linguístico poderá ser substituído por respeito e admiração pelas diversas culturas e etnias presentes na sociedade brasileira.