Preconceito Linguístico

Enviada em 05/09/2020

O Panóptico da linguagem

Em um mundo lusófono que se extende ao redor do globo, as diferenças linguísticas entre os falantes de português são praticamente inevitáveis, justamente pelas influências históricas que cada região presenciou. Consequentemente, criou-se uma hierarquização das maneiras de se falar, sendo algumas consideradas formais e, outras, mais vulgares.

Por conseguinte, o preconceito linguístico, ou seja, a prática de conceituar alguém superficialmente pela maneira de se expressar na fala, deriva dessa hierarquia. Assim, os grupos opinativos dessa temática se dividem entre: quem julga o preconceito linguístico um crime e quem classifica  as diferenças entre os falantes como um erro no decorrer da história, justificando o preconceito.

Primeiramente, é necessário refutar a ideia da imutabilidade linguística, visto que até mesmo a Língua Portuguesa atual derivou de dialetos do latim considerados vulgares. Contudo, é notável que a padronização proporcionada pela linguagem formal facilita a comunicação, porém, isso não significa que outras maneiras de expressar uma ideia estejam erradas.

Além disso, esse preconceito cria uma situação similar ao Panóptico de Foucault, onde as pessoas são induzidas a falarem de uma maneira formal para que sejam aceitas em difentes planos sociais, como se houvesse uma vigilância a todo instante, iniciando um clima de julgamento que não é saudável para os indivíduos. Por isso, é interessante proporcionar na população a consciência de que hierarquizar as identidades linguísticas é desnecessário e que aprender a norma-padrão é útil para a comunicação, mas não exclui as diferenças.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de recursos do Estado, implantar programas nas escolas que ajudem os professores a trabalharem melhor a questão da identidade cultural e linguística com os alunos e, somado a isso, aumentar os investimentos no aprendizado da Língua Portuguesa formal para que, em algumas gerações, uma sociedade mais amigável seja vivida por uma população consciente das diferenças, que sabe utilizar uma ferramenta útil como a norma-padrão e que é liberta da hierarquização de algo tão próprio de cada um: a maneira de falar.