Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

Uma das características mais marcantes do Modernismo é a valorização dos diversos sotaques brasileiros e a crítica ao preconceito relativo a eles. Entretanto, a quase cem anos após o início desse movimento, o preconceito linguístico ainda persiste incisivamente na sociedade. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desvalorização dos falares regionais nas escolas, quanto da utilização da gramática como instrumento de distinção e dominação.

A princípio, é imperioso ressaltar o papel da escola nessa problemática ao ensinar que a norma culta é a única linguagem correta. Tal fator vai de encontro com o ideário presente no livro “Preconceito Linguístico: o que é e como faz”, do professor Marcos Bagno, de que não existe uma língua certa ou errada, mas existem formas corretas de falar segundo o contexto. Logo, é inadmissível que a escola, como importante ferramenta de ensinamentos acadêmicos e morais, influencie este tipo de preconceito ao desconsiderar as variações linguísticas e pouco debater elas.

Ademais, é fulcral pontuar que a língua se tornou um instrumento de distinção e dominação, haja vista que o preconceito linguístico afeta, majoritariamente, a população de baixa renda. Isso é comprovado pelo filósofo Michael Foucault em seu livro Microfísica do poder, no qual estuda o idioma como um dos mecanismos de dominação desde a Antiguidade Clássica até os dias atuais. Desse modo, fica claro que o preconceito linguístico é uma ameaça à democracia uma vez que quando um indivíduo é humilhado pelo seu jeito de falar, toda a classe que fala como ele também é inferiorizado.

Em suma, é essencial retomar os ideais modernistas de valorização à variedade linguística regional para reverter esse panorama. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação fazer debates frequentes nas escolas e propagandas televisivas, com o depoimento de vítimas do preconceito linguístico. Tal medida deve ser feita por meio da criação de uma junta em cada Estado, com a presença de sociólogos e filósofos. Espera-se, com isso, expandir o debate acerca do tema e educar a população sobre as consequências nocivas desse tipo de discriminação para, assim, minimizá-la.