Preconceito Linguístico
Enviada em 06/09/2020
Intolerância linguística: falta de conhecimento e não aceitação
A linguagem é o modo de como o ser humano se comunica e dá sentido a tudo. Ademais, é considerada também um dos aspectos culturais mais importantes de uma sociedade e pode adquirir formas diferentes dependendo do contexto, época, lugar ou grupo. No caso do Brasil, a língua portuguesa sofreu diversas modificações e ainda sofre. Por conseguinte, tornou-se muito rica, com variações inclusive dentro de uma mesma cidade. Apesar disso, em virtude da falta de conhecimento e da não aceitação do diferente, as pessoas não reconhecem sua magnitude e isso gera preconceito linguístico.
Em primeira análise, tudo o que não é previamente conhecido resulta em sentimento de desconfiança e intolerância - preconceito. Sendo assim, conforme Norberto Bobbio, o preconceito é uma opinião errônea, a qual não passou pelo julgamento da razão. Isso pode ser aplicado ao preconceito linguístico, pois, quando não é entendido o porquê de um grupo de pessoas ou de um indivíduo se expressar de determinada forma – seja na escrita ou na fala –, tiram-se conclusões precipitadas e, como efeito, ocorre exclusão social, piadas de mau gosto, bullying, etc – como exemplo disso, ao utilizar gírias, um fenômeno linguístico das periferias, a pessoa é taxada de ignorante.
Em segunda análise, a não aceitação do diferente é um fator atenuante para a problemática exposta, tendo em vista que muitos não aceitam a diversidade linguística. Isso não poderia verificar-se, pois, de acordo com a socióloga Hanna Arendt, a diversidade é algo característico da sociedade humana e, portanto, todos deveriam estar em harmonia com ela. Contudo, a falta de conhecimento (citado acima), a falta de empatia (não se colocar no lugar do outro) e a visão de mundo distorcida, isto é, voltada só a um âmbito, faz grande parte dos indivíduos não enxergarem o quão diversa é uma língua e todas as formas que esta pode chegar a ter.
Com base nos argumentos apresentados, é necessário que haja mudanças na mentalidade da sociedade a respeito da linguagem. Cabe, em primeiro momento, ao Ministério da Educação, dentro da grade curricular de português, incluir a discussão sobre a diversidade linguística em todas as classes sociais e lugares e, para a parcela que não está mais no ensino regular, deve haver a criação de eventos sobre linguagem em espaços públicos, com discussões, cursos e atividades. Para mais, o Congresso Nacional deve criar uma lei que obrigue quem cometer preconceito linguístico a participar de cursos e oficinas de linguagem, a fim de se conscientizar. Com tais medidas, mais um preconceito será erradicado e a convivência social melhorará.