Preconceito Linguístico
Enviada em 05/09/2020
Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante da segregação promovida por intermédio da fala. Com efeito, reestruturações educacionais e governamentais são medidas impostas como necessárias para que o preconceito linguístico não seja um problema nacional.
Inicialmente, é válido ressaltar a negligência educacional diante do ensino à diversidade. Segundo a pesquisa feito pelo Programa Internacional de Avaliação aos Estudantes (Pisa), o Brasil encontra-se com a educação estagnada há quase uma década. Tal fato pode ser evidenciado a partir do ensino anacrônico, isto é, a inércia de ações revolucionárias, afinal, a supervalorização à teoria e a manutenção organizacional de uma sala de aula repercutida por séculos, apesar da mudança de costumes, visto a primordialidade na aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não impacta positivamente nas atitudes da vida cotidiana. De maneira análoga à ideia baumaniana de “modernidade líquida”, a qual os indivíduos, descrentes do sentimento empático, passam a menosprezar as relações sociais e, por isso, inferiorizar os diferentes. Desse modo, cabe à escola incentivar o repúdio às derivações do idioma, relevando a cultura presente na informalidade e nas diferenças.
Outrossim, é imprescindível mencionar o descaso governamental às atitudes de violência contra a integridade física. De acordo com o diagnóstico apresentado pelo Data Senado, mais de 50% dos brasileiros admitiram saber nada ou muito pouco acerca da Constituição Federal, proclamada em 1988. Dessa maneira, constata-se que, além de muitas vítimas não terem conhecimento dos seus direitos, sobretudo, em casos de desrespeito, o Estado é moroso. Afinal, cenários da intolerância, mesmo quando cometida em espaços públicos, como apresentado em jornais televisivos, são punidas de forma superficial, visto que o pagamento de fiança propõe a libertação do agressor. Dessa maneira, o Governo precisa ser mais rígido quanto ao sistema judicial e presidiário, pois, assim, a agressividade integralizada à negação da variação linguística alheia será minimizada por meio, senão da consciência, da intimidação.
Portanto, evidencia-se que condutas são importantes para a efetivação da minimização do preconceito linguístico. Por conseguinte, o Ministério da Educação deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, reformular o currículo escolar ´de modo relativizar o ensino à linguagem aos ramos formais e informais, conscientizando, principalmente, sobre a origem e o impacto positivo que tais diferenças causam socialmente, a fim de romper com o pensamento anacrônico de elitização da linguagem. Por fim, com tal revolução de ideias, espera-se alcançar a pacificação nacional.