Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

A língua é uma das principais formas de sustentação da vida em sociedade, pois é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. Entretanto, a língua pode atuar de forma negativa como, por exemplo, através do preocupante preconceito linguístico, o qual é fruto de uma idealização da língua portuguesa e, consequentemente, um dos causadores da segregação social.

A Semana de Arte Moderna, realizada em 1922, foi uma forma de contestar a formalidade defendida, principalmente, pelos parnasianos, os quais endeusaram a norma culta e desprezavam qualquer forma de se expressar que não fosse a “correta”. Nesse sentido, o preconceito linguístico resulta da comparação entre o modelo que se apresenta na gramática normativa e os modos, reais, de falar das pessoas na sociedade. De acordo com o site " TV Escola", a instituição escola é a principal fonte de manutenção e difusão do preconceito linguístico, visto que visam o ensino da norma culta, não enfatizando as diversidades de variantes que a língua portuguesa apresenta. Assim sendo, é evidente que é necessário frisar a importância das diversidades da língua, bem como o fundamental, respeito que todas elas merecem.

Ademais, mesmo com todos os brasileiros falando a língua portuguesa, ela tem muitas particularidades no contexto regional, social e histórico, mostrando, assim, que a língua está em constante transformação. No entanto, parte da população é segregada da sociedade por utilizar uma forma de expressão diferente da gramática normativa, tal como o caso de um funcionário da prefeitura de Jaciara, no Mato Grosso, que com a proposta de desejar " feliz natal", escreveu " felis" em um dos jardins da cidade. Dessa forma, o trabalhador foi taxado de burro e difamado nas redes sociais, ficando evidente, assim, que a sociedade, em geral, exclui pessoas que não se adequam ao que julgam ser" correto" na língua.

Em suma, são necessárias medidas para atenuar os problemas causados pelo preconceito linguístico. Para isso, cabe ao Ministério da Educação promover a reformulação do ensino da língua portuguesa nas escolas. Isso pode ser feito por meio da implementação do ensino das variantes linguísticas nas instituições, visando a importância das diversas formas de expressão. Dessa maneira, o preconceito e a segregação serão amenizados.