Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão do preconceito linguístico contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, determinados grupos são vítimas de intolerância constante. Nesse contexto, no que tange à questão da discriminação pelo não uso da norma padrão da língua, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude de questões socioculturais e da falta de conhecimento.

Em primeiro plano, evidencia-se que a questão sociocultural é uma grande responsável pela complexidade do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do preconceito linguístico é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna tal situação ainda mais complexa.

Além disso, cabe ressaltar que a falta de conhecimento é um forte empecilho para a resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação sobre o preconceito linguístico sofrido por quem não usa a norma padrão da língua portuguesa, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.

Portanto, para que o preconceito linguístico deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas como dramatizações, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem sobre a diversidade linguística para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Por fim, a comunidade olhará de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da Terra”.