Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2020

A constituição brasileira de 1988 assegura a todos o direito à liberdade. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada – no que tange à liberdade de expressão – visto que o preconceito linguístico está presente na sociedade. Dentre tantos fatores relevantes, destacam-se: o preconceito regional recorrente em diversas regiões brasileiras e a inércia do Governo em ver o fato como um problema real. Logo, faz-se imprescindível analisar essas conjunturas, a fim de resolver esses problemas e consolidar os direitos constitucionais.

Primeiramente, em consequência da educação precária – que se reflete da falta de atenção ao setor de educação nacional – se dá um alto índice de pessoas mal alfabetizadas, que mesmo frequentando o ambiente escolar apresentam sérios problemas em se expressar de forma gramaticalmente correta em situações formais. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman criou o conceito de “instituição zumbi” a qual diz que instituições, como o Governo, existem, mas não exercem o seu papel social. Entende-se, que enquanto houver negligência por parte dos governantes, a existência de cidadãos mal alfabetizados e vulneráveis ao preconceito linguístico continuará sendo algo comum.

Por outro lado, a intolerância linguística também pode ocorrer em ambientes informais tendo como um dos seus precursores o preconceito regional, muito recorrente no Brasil por se tratar de um país de tamanho continental e de grande diversidade natural e humana. Nesse sentido, Maquiavel já dizia que os preconceitos têm mais raízes do que os princípios. Depreende-se, que se torna impossível combater o preconceito linguístico de forma isolada - sem analisá-lo de forma estrutural e histórica - olhando-o como um problema superficial e recente, ainda mais em um país que em sua formação teve a inserção de vários povos com tradições linguísticas distintas.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção objetivando a garantia dos direitos elencados na constituição. Dessa forma, o Governo Federal precisa investir, por meio de parcerias com o Ministério da Educação, em uma melhor instrução para os professores – principalmente os de sociologia e de língua portuguesa, haja visto conhecimento social e linguístico inerente a tais disciplinas – a ensinar em suas aulas a importância da tolerância e o uso correto da gramática formal. Desse modo, para que os alunos aprendam se expressar de maneira formal e tolerem qualquer diferença linguística existente.