Preconceito Linguístico

Enviada em 06/09/2020

A linguagem utilizada por uma pessoa diz respeito às suas experiências e faz referência ao seu grupo de pertencimento. Dessa forma, não poderia haver senão infinitas formas de dizeres. Entretanto, não raro ocorre o preconceito linguístico, uma ação intolerante e repressiva que humilha o outro pela forma de falar. Primeiro, alicerçada pela confusão entre língua e norma culta e, segundo, potencializada pela intolerância.

Antes de tudo, evidencia-se que a gramática normativa é um subgrupo da língua. Desse modo, analogamente à teoria platônica, a norma culta está para o mundo sensível, assim como a língua está para o mundo inteligível, sendo a gramática normativa um tratado imperfeito da língua. Assim, em alusão ao mito da caverna, aquele que comete o preconceito linguístico condena o falante, visto que esse escancara um mundo verbal não aprisionável em regras gramaticais.

Ademais, apesar do vasto ensinamento deixado pelos gregos, cumpre o aprendizado através de seus erros, uma vez que, em uma atitude intolerante, consideravam bárbaros os não falantes da língua grega. Esse fato reafirma o quão inadequado é a adoção de uma postura hierárquica. Portanto, sendo também o erro um agente de ensinamentos, é válido o aprendizado com a história. Nesse sentido, a tolerância configura-se como via de respeito, refinamento pessoal e social.

Em síntese, é nítida a necessidade de maior compreensão acerca das diferenças linguísticas. Em vista disso, é imprescindível que as Secretarias Municipais de Educação, por meio dos professores de português, sensibilizem as crianças para o tema, a partir de um projeto em que os alunos realizarão mensalmente trocas de áudios com colegas de diferentes grupos culturais, objetivando oportunizar-lhes o contato com a diversidade da língua falada. Tal medida tem por finalidade uma mudança cultural, em prol de uma sociedade mais respeitosa quanto à diversidade linguística.