Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

Para um país democrático consolidar o progresso e a cidadania, o Estado necessitará reduzir as grandes entropias sociais. Diante desse princípio constitucional parafraseado, nota-se a relação de cuidado com a qual o Brasil deverá gerenciar as suas desordens, entre elas o preconceito linguístico. Problema no qual se observa uma negligência acentuada dos governantes na busca de caminhos para solucionar essa vergonhosa situação nacional. Por conta disso, há um desequilíbrio nos direitos fundamentais e um desrespeito às diferenças regionais e culturais das vítimas dessa realidade.

Perante esse transtorno, há fatores literários os quais evidenciam a desatenção petrificada do Estado na manutenção da tolerância linguística no país. Esses fatores estão retratados na obra de Marcos Bagno, “Preconceito Linguístico”, a qual descreve a legalização despretensiosa da legislação ao preconceito das línguas fora do padrão da norma culta. E isso gera uma desvalorização histórica das classes sociais não padronizadas. De maneira análoga, infelizmente, esse preconceito linguístico ainda prevalece, pois a falta de políticas, ao respeito às variações da língua, gera uma ameaça aos direitos fundamentais e ao equilíbrio social, e isso acarreta um desprestígio as ricas diferenças linguísticas da sociedade brasileira.

Para além disso, é importante pontuar que durante o Brasil República, época contextualizada no livro de M. Bagno, o Brasil ainda não englobava meios para combater qualquer tipo de intolerância as variações da língua portuguesa. Atualmente, no entanto, esses meios já fazem parte da Constituição Federal de 1988, a qual assegura a liberdade de expressão e do regionalismo linguístico. Porém, lamentavelmente, essas garantias não condizem com os 11,8 milhões de pessoas que já sofreram algum tipo de preconceito linguístico, dados do IBGE. Ou seja, esse número deixa nítida a negligência contínua do poder público na luta contra a importunação da variação do português brasileiro, e isso afeta diretamente o bem-estar, a cultura e os costumes das classes sociais vítimas desse preconceito.

Portanto, para diminuir o preconceito linguístico no Brasil, o Estado deverá neutralizar a eufemização dos problemas expostos, isto é: o Ministério da Educação e o Ministério Público criarão um aplicativo para telefones móveis. Esse aplicativo terá o objetivo de esclarecer a importância da língua padrão, mas sem detrimento das demais variações linguísticas. Essa ação será administrada por professores de gramática e sociologia capacitados no assunto. Além disso, servirá para chamar a atenção de gestores públicos os quias não investem em políticas de respeito às diferenças linguística. Essa ação será aprovada por meio de um projeto de lei no Congresso Federal. Assim, a sociedade desfrutará das relações de respeito à variação da língua, e o Brasil consolidará o seu progresso e a sua cidadania.