Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

“Até que os direitos humanos sejam igualmente garantidos a todos, haverá guerra.” Na obra musical “War”, do artista Jamaicano Bob Marley, cria-se a ideia da prevalência de conflitos, enquanto houver desigualdades, acreditando que só haverá paz em uma sociedade justa e igualitária. Seguindo essa análise, o preconceito linguístico, segue um contexto semelhante ao da obra, na qual, levanta a discussão sobre a intolerância e a “guerra” pela preservação de hábitos regionais que assola o país, gerando um ambiente marcado pela segregação cultural e a xenofobia, devendo assim, ser combatida.     Primeiramente, é fulcral pontuar que a intolerância tem raízes históricas, devendo ressaltar a era do imperialismo, onde as potências europeias iniciaram uma missão civilizatória para com os povos considerados “selvagens”, acreditando que os seus costumes inclusive a língua, eram inferiores, com respaldo do governo. Segundo o pensador Thomas Hobbes, “o Estado deve condicionar o bem-estar populacional.” Entretanto, essa realidade é oposta no Brasil. Devido a essa negligência, tais desrespeitos ferem os direitos da Constituição de 1988, e deixa esse grupo à mercê do preconceito e da desvalorização linguística, criando uma sociedade mais intolerante e segregada acentuando os demais preconceitos, como afirma a socióloga Nathália Ziê. Portanto, devem-se tomar medidas para tal imbróglio.

Ademais, ressalta-se que a guerra pela preservação de hábitos regionais expõe o preconceito estereotipado existente na sociedade. Partindo desse pressuposto, o “apartheid” regime segregacionista ocorrido na África do Sul em 1948, embora de cunho racial, não deixa de expor a desigualdade social, em que o negro sempre discriminado e marginalizado, pode ser visto como um nordestino em uma grande metrópole do sul, e a sociedade sempre em busca de menosprezá-lo por seus traços culturais como a sua linguagem. Além disso, o preconceito contra nordestinos vem crescendo nos últimos anos, segundo os dados do portal de notícias G1. Expondo que as correntes da intolerância ainda estão presas sob o ideal de união. Dessarte, a obra de Marley fica notória sob o contexto atual, e mostra que a “guerra” continua.

Dessa maneira, o preconceito linguístico deve ser combatido. Então, cabe ao Ministério da Cidadania, criar e aprimorar leis, além de investir em campanhas e projetos sociais do tipo “slice of life”, que busca com exemplos do cotidiano, envolver o público alvo para assegurar os direitos fundamentais dos cidadãos. De modo que o Senado, em parceria com banqueiros, formem fundos de verbas, a fim de oferecer cobertura monetária, para manter o projeto, e assim, combater a intolerância e logo, buscar alcançar a consciência do respeito às diferenças e pôr fim a essa “guerra”.