Preconceito Linguístico
Enviada em 13/09/2020
Em alusão á semana de Arte Moderna que ocorreu na cidade de São Paulo em 1922 por meio de manifestações socioculturais de caráter abolicionista ao conservadorismo artístico vigente, em que retratava-se um incentivo da expressão da fala do povo Brasileiro. Sob tal conjectura, o evento se consolidou com a ampla utilização do regionalismo na esfera literária, possibilitando, portanto, uma prévia tolerância cultural. No entanto, hodiernamente, ainda se observa o preconceito linguístico destinado historicamente a grupos específicos, contribuindo gradativamente para a inferiorização da linguagem como mecanismo cultural.
Convém ressaltar, a princípio, que a marginalização da fala de determinadas regiões brasileiras, como o Nordeste, por exemplo, está diretamente associada ao olhar hostil de fontes externas ao público nordestino, que usufrui do sotaque e gírias como articulação inerente de sua cultura. Neste viés, a narrativa do preconceito se consolida por meio de uma identidade de fala ilusória a ser seguida, embasada na crença de uma padronização e adequação da fala que historicamente se manteve ausente no Brasil, haja vista que o território nacional se desenvolveu por intermédio da miscigenação cultural, difundida pelos Portugueses ao chegarem na América, e construírem relações com os povos nativos - Índios- e posteriormente com os Africanos mediante a atuação do tráfico negreiro. Logo, torna-se inconsistente tal discurso de ódio.
Ademais, somando-se ao fato de que o País apresenta fatidicamente uma desigualdade social em consequência da concentração de renda, verifica-se, assim, o agravante de modo banal, haja vista que a escolaridade está estritamente associada ao poder aquisitivo do individuo, e que a mesma tem como objetivo a ampliação do vocabulário e do conhecimento. Deste modo, seria um erro, porém, atribuir o preconceito linguístico unicamente ao âmbito da conscientização, uma vez que ações governamentais contribuem para a limitação da educação qualitativa nos municípios e metrópoles brasileira, não investindo na esfera escolar. Tal advento pode ser comprovado por meio de dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - em que observa-se que apenas 3,62% do PIB do país é destinado a educação.
Portanto, é inquestionável o papel do Estado para a intervenção da problemática. Isso pode ocorrer por meio de projetos em parceria com Parlamento para articular formas de aumentar os investimentos já existentes na área da educação, trazendo como objetivo a construção de escolas nas periferias e munícipios pequenos, e, posteriormente enquadrar na grande curricular dos estudantes a importância de tolerar a linguagem do próximo. Só assim será possível erradicar o preconceito discutido.