Preconceito Linguístico
Enviada em 07/09/2020
No livro “Preconceito Linguístico”, do autor Marcos Bagno, é exposta a ideia de que não há uma forma correta ou errada de se pronunciar o português, apenas diferentes. Nessa perspectiva, entretanto, na sociedade contemporânea ainda persiste tal empasse central abordado pelo escritor - título da obra -, fato que gera preocupação. Assim, dois tópicos devem ser debatidos: o desrespeito do agressor e o constrangimento da vítima. Dessa forma, medidas interventivas devem ser aplicadas a fim de diminuir a discriminação em pauta.
A priori, a falta de empatia associada à arrogância são infelizes traços na contemporâneidade. Nesse sentido, a intolerância para com a forma de falar do outro, acaba por ferir a dignidade do cidadão vítima. Em paralelo a isso, no passado a Igreja Católica não tolerava o diferente, por isso preocupava - se em intervir quando julgava necessário com torturas e censuras: Santa Inquisição, fato que é análogo a relação entre agentes ativos e passivos em debate. Essa triste realidade é fruto da construção histórica e social de um padrão linguístico a ser dito, com respaldo nas elites nacionais. Dessa maneira, é relevante que se ensine as variantes da língua, para mitigar agressões.
Por outro lado, o indivíduo que sofre tal preconceito normalmente se entristece. Nesse contexto, muitas vítimas se sentem inferiores e se excluem socialmente, situação que serve de gatilho para crises de ansiedade e depressão, doenças as quais estão associadas a déficites de hormônios que auxiliam na felicidade e bem - estar (serotonina e endorfina). Esse nefasto panorama é proveniente da falta de punição para quem desrespeita, assim a tendência é a continuidade do ato perverso. Por conta disso, cabe ao Estado, promover leis mais rígidas, as quais combatam eficientemente o percalço em discussão.
Em suma, o desrespeito para com falantes diferentes na língua ainda possui força. Por isso, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) deve promover palestras em localidades públicas, por intermédio de profissionais qualificados - professores, historiadores, pedagogos - e panfletos ilustrativos para fixar o parendizado. Em síntese, tais ações têm a finalidade de aumentar a democratização linguística ao incentivar menos brigas, maiores tolerância e respeito, além de demonstrar que o idioma é mutável, fato natural e inevitável, assim passível de compreenção.