Preconceito Linguístico

Enviada em 09/09/2020

O preconceito linguístico é, além de pura ignorância praticada pelo homem pós-moderno, uma preocupação para todas as gerações, pois, conforme o tempo passa, mais a sociedade contemporânea necessita de planejamento e de competência quanto às relações socioculturais. Nesse contexto, no Brasil em especial, essa incultura sociolinguística ganha contornos de desespero, tendo em mente que, nos últimos anos, segundo o IBGE, o índice de crescimento do analfabetismo no país foi superior a 33% e o de ações de reversão desse quadro foi inferior a 6%. Diante dessa realidade assustadora, é preciso repensar o comportamento social  e o estatal, no sentido de reeducar a sociedade e de redirecionar as prioridades governamentais, senão, o futuro estará seriamente comprometido.

Em princípio, quando se leva em conta, por exemplo, que o país sustenta, atualmente, de acordo com a revista “Scielo”. o status de quinto no ranking de enfrentamento da intolerância linguística, torna-se perceptível a gravidade do caso. Isso porque, embora o projeto de lei 1.676/99, que tramita no Congresso Nacional, vise a promoção, a proteção  e a defesa da língua portuguesa, o sistema educacional brasileiro está entre os piores do globo, com uma margem de mais de 41% de analfabetismo estrutural e funcional, segundo a OMT. A consequência disso é a degradação social, com a aniquilação de futuros intelectuais, no que tange ao psicológico, em decorrência do descaso das autoridades competentes. Tudo isso atrelado à ausência de políticas pactuadas com o bem-estar social.

Nesse aspecto, a efetividade no combate às convicções previamente formadas é impossibilitada em razão da segregação sociocultural de natureza diatópica, diafásica e diastrática. Nessa lógica, os falantes vivem em um meio intolerante, e o pior é o paradoxal cenário, no qual são submetidos à repugnância linguística, como infectocontagiosos, fato ratificado nas palavras do filosofo Imannuel Kant, segundo o qual “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”, pois é explícita a pacificidade social em relação à desconformidade do projeto de lei 1.676/99, frente à vulnerabilidade do interlocutor brasileiro vivida no dia a dia.

Diante desse cenário preconceituoso, urge a tomada de medidas incisivas, para reverter esse quadro de iminente homicídio sociolinguístico. Para tal, as autoridades governamentais, como, por exemplo, o MEC, precisam implementar políticas públicas eficazes de regulamentação, de fiscalização e de execução das normas atinentes à promoção e à defesa da variação linguística brasileira, com o desenvolvimento de programas de inclusão sociolinguístico em todas as áreas da educação básica e avançada. Além disso, cabe à mídia trabalhar o comportamento do cidadão em relação as variantes linguísticas, evitando-se os altos índices de analfabetismo. Dessa forma, o preconceito não terá ensejo.