Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2020

Segundo o importante literato inglês, Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Nessa esteira de pensamento, podemos suscitar discussões sobre variedade linguística: discriminação social por meio da linguagem, como tema que, apesar de ser invisibilizado no país, ele repercute em diversas áreas sociais. Ademais, essa problemática é de grande relevância não só para os órgãos competentes mas também para todo um corpo social, que, de algum modo, é afetado direta ou indiretamente por essa incômoda situação. Esse fato se dá pela negligência estatal em relação ao cumprimento da lei e pela violência simbólica exercida pela sociedade.

Ao analisar o cerne da questão, vê-se que o preconceito linguístico é decorrente das bases históricas do país. Esse aspecto pode ser percebido na Colonização, por exemplo, para conseguir a desejada unidade nacional, muitas línguas foram emudecidas, com o extermínio dos índios desapareceu centenas de línguas. De modo análogo, essa questão se estende até os dias atuais, visto que, muitas pessoas são ridicularizados por seu modo de se expressar. Desse modo, observa-se a ineficiência estatal em cumprir o direito contido no Artigo 3 da Constituição, o qual afirma que é objetivo fundamental da República promover o bem de todos, sem preconceitos e quaisquer outras formas de discriminação.

Além disso, a omissão desses fatos pela sociedade e pelas instituições governamentais traz prejuízos para todo um corpo social. Conforme Pierre Bourdieu a violação dos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, pois o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade de um grupo social - é o que ele chama de opressão simbólica. Nesse raciocínio, percebe-se a violência simbólica sendo exercida pela sociedade contra os que apresentam modo de falar diferente do seu, reprimindo e censurando estes indivíduos.

Pelos aspectos analisados, cabe ao Estado como gestor dos interesses coletivos, criar mecanismos para que a lei seja exercida, por meio de punições a quem comete esse tipo de discriminação, a fim de assegurar esse direito e melhorar o bem-estar de todos. Somando a isso, compete à sociedade criar novos paradigmas éticos acerca desse problema, por meio de mobilizações nas redes sociais e palestras nas escolas, com o propósito de mudar o cenário atual. Sendo assim, a fala de Huxley não mais fará sentido na sociedade brasileira.