Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Durante o processo de colonização brasileira, uma das maneiras de garantir a hegemonia lusitana era penhorar que apenas a língua portuguesa fosse falada, gerando então uma série de repressão sobre o linguajar dos povos africanos e indígenas. Embora o acontecimento relatado tido existência anos atrás, é evidente a cultura colonial presente no Brasil contemporâneo, uma vez que a língua é vista como instrumento de dominação social, na qual é estabelecido relações de poder por meio dela. Além disso, é importante ressaltar que a variância linguística faz parte da riqueza cultural do país, visto que a comunicação está relacionada com a formação e convivência entre um ou mais povos. Sendo assim, torna-se necessário o debate acerca do preconceito linguístico no Brasil.
De acordo com a obra “microfísica do poder” do filósofo Michel Foucalt, é possível observar os diferentes mecanismos de opressão e dominação, com isso é evidente que a língua é uma ferramenta de soberania, uma vez que quando se humilha um falante por sua maneira de se expressar, humilha-se todo um grupo social. Exemplo disso, é o caso que aconteceu em Serra Negra (SP), em que um médico debochou de um paciente nas redes sociais após o mesmo citar palavras não condizentes com as normas gramaticais. Sendo assim, é notório o preconceito linguístico, visto que o valor negativo às variedades, demonstra a construção de um valor imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como “erro” tudo que se diferencie das normas gramaticais.
Por conseguinte, vale ressaltar que a variância linguística é uma cultura rica no Brasil, em virtude da convivência de diversos povos que fazem parte da história de formação do país, ademais a língua é o principal mecanismo de comunicação nas relações humanas, com isso, é possível a formação de uma identidade local. Além disso, durante o modernismo no Brasil, a valorização dos falares regionais, populares e a cultura não reconhecida tradicionalmente no Brasil, foram as características mais importantes no movimento, evidenciando o rompimento do tradicionalismo herdado do período colonial.
Levando-se em consideração os fatos apresentados e com o intuito de amenizar a problemática do preconceito linguístico no Brasil, cabe ao Estado juntamente com o ministério da educação, promover por meio de investimentos a abordagem sobre a variância linguística nas escolas, para que assim seja possível a conscientização desde a infância sobre a importância da língua para a cultura do país, além de desconstruir os mecanismos de opressão e dominação sobre um meio social e regional. Feito isso, é possível solucionar o problema herdado do período colonial, além de evitar a perda da variância linguística de um meio.