Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa as variedades linguísticas, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo preconceito no modo popular e regional de se comunicar, seja pela falta de informações nos meios de comunicação. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o iluminista John Locke, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça,o equilíbrio seja alcançado, e os direitos naturais de igualdade sejam preservados. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a norma considerada culta, é ideologicamente geradora de preconceitos linguísticos, visto que a linguagem popular, a forma que determinado grupo social se comunica, muitas vezes são consideradas erradas, pelo simples fato de não se encaixarem nos padrões estabelecidos na nossa sociedade.

Outrossim, destaca-se a falta de informações nas mídias televisivas e sociais, como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade, coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que muitas pessoas julgam e descriminam falares, só pelo fato de não estar estarem inseridos ao seu cotidiano, rotulam que uma língua, um sotaque, muitas vezes são superiores aos outros, desconhecendo da grande variedade presente em cada região do país.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Como já tinha dito o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas e comunidades, palestras que discutam o combate ao preconceito linguístico, além de disponibilizar para alunos e população em geral, livros com diferentes formas coloquiais de comunicação, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.