Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante respeito a diversidade linguística e cultural. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido, e a intolerância tem sido recorrente no tecido social. Sob essa ótica, a inoperância escolar no ensino, bem como o estereótipo formado de que a norma culta empodera o indivíduo, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.

Em primeira instância, é fundamental ressaltar a importância da escola no ensino das diversas variantes linguísticas. Consoante o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil tem mais de 200 línguas, sendo Libras a segunda oficial. Percebe-se, nesse viés, a pluralidade existente no país, concomitantemente, a educação continua restrita a gramática normativa, sendo essa de sumo valor, mas não mais que as outras. Dessa forma, surge o preconceito com quem fala diferente do modo padrão ensinado, por conseguinte, a sociedade torna-se intolerante e as divergências não são mais meios de atração e troca de valores, mas de repulsão e prejulgamento.

Além do mais, convém relacionar ainda a visão distorcida do grupo civil em rotular as pessoas pela forma com que se comunica. Segundo o professor Marcos Bagno, em sua obra “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”, é inadmissível haver discriminação em meio a tanta diversidade, e os rótulos nunca serão vistos com bons olhos. Seguindo essa linha de raciocínio, é notória que existe a formação de grupos sociais de acordo o uso dos dialetos, sendo imposto culturalmente pela comunidade que todo intelectual deva usar uma linguagem formal. Porém, é um equívoco definir parâmetros em tamanha variedade.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses, e cumprir com as garantias previstas pela Carta Magna. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação inserir disciplinas curriculares que visam ensinar não só a forma culta, mas as inúmeras variantes, inclusive a segunda oficial, libras; com o objetivo os alunos aprenderem sobre as diferenças e a união de valores, sendo cada forma de comunicar uma experiência, e não um motivo para o preconceito. Ademais, o mesmo órgão deve fornecer palestras dada por linguistas, abertas ao público, a fim de tratar sobre a pluralidade e a importância em respeitar e procurar entender a cultura do outro. Assim, a geração futura não terá os mesmos problemas que a atual, e o equilíbrio social será uma realidade.