Preconceito Linguístico
Enviada em 11/09/2020
Riquezas da Língua
Em 1500 os Portugueses chegaram ao Brasil. Na época, os europeus denominaram-se superiores aos povos nativos, impondo-lhes não apenas o trabalho, religião, mas como também um fundamento da comunicação: o idioma. Após mais de 500 anos da chegada dos portugueses em terras brasileiras, o país ainda possuí arraigado em sua história o preconceito linguístico, baseado na visão errônea de superioridade. Cabendo assim, a necessidade de debater e combater o preconceito nas mais variantes formas de falar português, partindo da valorização das variações linguísticas como riquezas culturais à educação.
É relevante abordar, primeiramente, que a miscigenação é uma característica estrutural do Brasil, o que proporcionou à nação enriquecimento cultural, observado nas particularidades da língua portuguesa em contexto regional, etário, social e histórico. Portando, é de extrema importância o reconhecimento e respeito pela cultura, reconhecendo que há diversas variantes na língua, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais. No entanto, a língua também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de discriminação social.
Esse tipo de preconceito, acentua ainda mais a desigualdade social no país, pois a língua está totalmente ligada à estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Os indivíduos que sofrem discriminação linguística tendem a desenvolver problemas de sociabilidade e, até mesmo, psicológicos. Nesse sentido, observa-se que a segregação social, evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque de Holanda, no livro ‘‘Raízes do Brasil’’ se presente até os dias atuais.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do preconceito linguístico é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária, visto que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Nessa lógica, é imperativo que as escolas façam uma abordagem mais aprofundada sobre esse tema, além de ensinar, nas aulas de Português, todas as variantes existentes no português, assim como, o respeito e reconhecimento de que todas as variações são inerentes à língua. Além disso, a mídia deve investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico. Afinal, ser um “bom” falante é ser poliglota na própria língua.