Preconceito Linguístico
Enviada em 08/09/2020
Recentemente, o Brasil foi avaliado em 57º lugar no ranking do PISA - programa direcionado para avaliar a qualidade da educação nos países -, uma péssima colocação, a qual demonstra a precariedade do ensino brasileiro. Nesse contexto, é visível que tal problemática se sustenta em uma profunda desigualdade sociocultural que gera, por consequência, um forte preconceito linguístico na sociedade. Diante disso, é válido ressaltar as raízes dessa discriminação, isto é, a evasão escolar e a intolerância existente nas camadas elitistas da população.
Em primeiro plano, é importante salientar que a educação brasileira está defasada. Nesse sentido, os personagens de Vidas Secas, do escritor Graciliano Ramos, não concluíram o ensino fundamental e, por isso, possuem pouco conhecimento linguístico e um vocabular muito pequeno. De maneira análoga, muitos indivíduos não puderam frequentar as escolas ou não tiveram um ensino de qualidade, visto a precariedade das escolas públicas nas regiões periféricas. Devido à esse motivo, vários brasileiros sofrem pela dificuldade de se expressarem e tornam-se vítimas da discriminação.
Ademais, a intolerância na sociedade brasileira também contribui para a existência desse problema. Durante o Período Imperial, o Marquês de Pombal, até então governante, proibiu a língua-geral - mistura de tupi com o português - falada entre os nativos. Desse modo, verifica-se que o preconceito linguístico possui raízes históricas e pode prejudicar a expressão total de uma civilização. Portanto, mostra-se inaceitável tal conduta em território nacional por parte das classes dominantes, haja vista o intuito e o caráter antidemocrático presente nessas ações.
Destarte, medidas devem ser tomadas para que o a discriminação não seja um fator existente no Brasil. Para isso, o Governo Federal deve, por meio do Ministério da Educação (MEC), criar um projeto educacional sobre a preservação da língua nacional e os conteúdos linguísticos, como a variação lexical e as modalidades da fala ou registro, que seja ensinado nas escolas públicas, voltado aos alunos e aberto, também, ao público local. Sendo assim, o intuito de tal medida é favorecer o ensino em todas as regiões, criar um senso crítico sobre a pluralidade da língua e mostrar a importância do respeito às variações do vocabulário de cada cidadão. Com essas medidas, o Brasil alcançará melhores posições no ranking do PISA e ofertará uma educação de qualidade para todos.