Preconceito Linguístico
Enviada em 08/09/2020
Durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, artistas brasileiros apresentaram uma ruptura da linguagem e das artes ao que antes era visto, até então sujeitos aos modelos europeus. Com a ideia da criação de uma identidade nacional, autores ressaltaram a importância dos falares regionais, apresentando gírias e regionalismos em suas obras. Hodiernamente, no entanto, o preconceito linguístico é algo presente em todo o Brasil. Sob essa ótica, é necessário enfatizar que existem diversas variantes da língua e repudiar qualquer discriminação em razão da linguagem regional.
Em primeira análise, é importante ressaltar que, embora a Língua Portuguesa seja falada pela maioria dos brasileiros, existem diversas variações devido ao contexto regional, etário, social e histórico. Isso mostra o quanto a língua está em constante transformação, realizada pelos próprios falantes. Com isso, não se deve considerar a gramática normativa para a língua falada e momentos informais, visto que essa serve para garantir a base do idioma de origem português, e não representar todas as variações da linguagem coloquial que está em constante mudança.
Ademais, nota-se a hierarquização de um dialeto diante de outros, impulsionando assim a problemática do preconceito linguístico. De acordo com o filósofo Michael Foucault, o poder exercido de forma equivocada se torna dominação. Analogamente, nas escolas brasileiras, o dialeto dominante é chamado de “norma culta”, o que gera o aumento da disparidade social. Dessa forma, nota-se que a falsa ideia de verdade e superioridade se torna artifício para a discriminação realizada pela camada dominante e elitizada, com o preconceito linguístico.
São imprescindíveis, portanto, ações para combater o preconceito linguístico no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação inserir no currículo escolar o ensino sobre as diversas variações da língua, com palestras e oficinas realizadas por especialistas em dialetos brasileiros, expondo a importância da diversidade linguística na cultura brasileira. Tal proposta tem como objetivo romper a idealização de apenas uma norma elitizada e desconstruir um pensamento intolerante. Apenas assim, será possível afirmar a ideia que foi exposta em 1922, de uma cultura nacional diversificada e sem preconceitos.