Preconceito Linguístico
Enviada em 14/09/2020
No livro “Grande Sertão: Veredas”, o escritor João Guimarães Rosa, em muitos trechos, utiliza a linguagem popular e regional característica do norte de Minas Gerais e da região nordeste, a fim de enaltecer a cultura sertaneja. Hodiernamente, fora da ficção, esse cenário de valorização das variações linguísticas, na maioria da vezes, não é presente na sociedade brasileira, o que traz vários prejuízos para o tecido social, por exemplo, a segregação sociocultural e o preconceito.
Em primeiro lugar, o preconceito linguístico também está relacionado com a variação de sotaque das pessoas, o que faz da região nordeste o principal alvo dessa violência. Nesse sentido, durante a segunda geração modernista em 1930, houve a busca da valorização da língua e do espaço, com o intuito de enaltecer a cultura local e, também, chamar a atenção das pessoas para as mazelas da sociedade. Além disso, é importante destacar que o uso de expressões coloquiais, em grande parte dos casos, está ligado à população de baixa renda que, geralmente, não possui ensino de qualidade e desconhece as regras da língua portuguesa e, então, esses indivíduos são marginalizados e excluídos da comunidade.
Ademais, é mister pontuar os fatores que contribuem para o preconceito linguístico no Brasil, por exemplo, a falta de conhecimento acerca das variações culturais e regionais. Nessa perspectiva, o filósofo Voltaire apregoava que “preconceito é opinião sem conhecimento” e, de fato, muitas pessoas cometem essa discriminação pela ausência de esclarecimento a respeito da variedade dos dialetos populares e, assim, acreditam que a forma “correta” de falar é aquela que está de acordo com a norma padrão da língua portuguesa. Tal pensamento que está equivocado, pois a forma adequada de falar é aquela que está coerente com o contexto dos interlocutores e receptores, ou seja, em um ambiente informal, é compreensível que se use a linguagem coloquial, uma vez que o importante em um diálogo cotidiano é passar e receber a mensagem.
Em vista disso, para diminuir o preconceito linguístico no Brasil, é necessário que o Ministério da Educação promova nas escolas a discussão a respeito das variações linguísticas, isso pode ser feito por meio do estudo de obras literárias que abordem o tema, como “Grande Sertão: Veredas”, para que os alunos cresçam conscientes e influenciem as pessoas a respeitarem as diversidades linguísticas. Em adição, é imprescindível que o Governo Federal, em parceria com a mídia, por intermédio de um redirecionamento de verbas para a criação de campanhas e palestras em escolas, faculdades, empresas e redes sociais, que retratem a diversidade de dialetos, com o objetivo de estimular o conhecimento sociocultural e, assim, atenuar esse problema.