Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2020
O verso “amo-te ó rude e doloso idioma” escrito pelo poeta Olavo Bilac no poema “Língua Portuguesa”, faz alusão a imposição do português aos povos colonizados acarretando na destruição das culturas nativas, vistas como inferior pelo povo dominante. De modo análogo, atualmente, observa-se uma imposição da variação elitizada das línguas. Desconsiderando, dessa forma, a pluralidade decorrentes das diversas influências sofridas pela língua, devido a vivacidade da mesma como afirma o poeta supracitado. Tal imposição evidencia o preconceito linguístico, gerando a intensificação da segregação social e diversas outras problemáticas. portanto, é mister a inversão desse quadro.
Primeiramente, é importante salientar o papel da classe dominante na instituição do preconceito linguístico. Segundo Carlos Bagno, escritor e linguista brasileiro, o preconceito linguístico é baseado na crença da existência de uma única língua portuguesa: aquela ensinada nas escolas, regida pela norma culta. A classe dominante, aquela que detém maior poder aquisitivo, e, contudo, dispõem de maior acesso a educação de qualidade, inferioriza as demais variações, principalmente aquelas decorrentes das diferenças socioeconômicas. Desse modo, não é levado em consideração a cultura e o contexto em que determinado grupo vive. Assim, faz-se necessário uma maior discussão acerca do conceito de adequação linguística pelas instituições de ensino.
Por conseguinte, verifica-se uma enorme problemática social a partir da declinação das múltiplas maneiras em que a língua se apresenta. De acordo com o filósofo grego Aristóteles: " A linguagem permite ao homem exprimir-se e é isso que torna possível a vida social". Com base em tal máxima, a linguagem permitiu a vida em sociedade. Entretanto, atualmente a língua constitui mais um meio de segregação, uma vez que, quando um individuo não apresenta conhecimento da norma culta da língua, ele é excluído de certos locais de convívio social. Tal problema afeta, sobretudo, as classes economicamente inferiores, aumentando as disparidades socioeconômicas existentes, além de intensificar diversas outras formas de preconceito como a xenofobia. Portanto, é imprescindível a conscientização da população acerca das consequências da prática do preconceito em questão.
Logo, vê-se necessária a tomada de medidas que minimizem tal problemática. À vista disso, é dever das secretárias estaduais de educação, por meio de verbas públicas, realizar eventos como o café com letras, promovido pelo Instituto de Humanidades e Letras. Porém de maneira gratuita e aberta ao público. Devem conter palestras que abordem temas como as variações e os preconceitos linguísticos e suas consequências. Pois, somente assim, o conhecimento acerca de adequações linguísticas alcançará grande parte da população, tornando viável a eliminação desse preconceito.
Logo, é mister que sejam tomadas providencias afim de reverter o problema supracitado. Desse modo, é dever das secretarias estaduais de educação, por meio de verbas públicas, promover anualmente eventos sobre a língua portuguesa, como o café com letras realizado pelo instituto de humanidades e letras. Porém de forma gratuita e aberta ao público. Devendo incluir palestras acerca das pluralidades da língua nacional e o preconceito existente quanto a certas variações. Pois, somente assim, a população ficará ciente da realidade do tema, tornando viável a eliminação de tal problemática.