Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
O modernismo no Brasil, iniciado em 1922, teve entre suas tendências a simplificação do discurso, se aproximando do linguajar mais popular. Oswald de Andrade foi um dos escritores que introduziu uma linguagem mais livre nas suas obras, pois acreditava na relevância da cultura brasileira e sua linguagem. Apesar de toda essa valorização da forma de falar, desde a década de 20, até hoje é visto um preconceito linguístico com alguns grupos, e este prejulgamento possui raízes principalmente socioeconômicas e culturais.
Em relatório elaborado pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em 2019 foi apontado que 2,8 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola e provavelmente mais da metade não consiga retomar os estudos. São crianças que começam a trabalhar cedo, e convivem em ambientes de pessoas que possuem um linguajar mais coloquial, sem muitas formalidades, se tornando adultos com um falar simples. Ao ingressar no mercado de trabalho mais competitivo, muitas vezes são desclassificados pela forma que se comunicam, sendo considerados com baixo nível de qualificação, e quando contratados recebem uma mal remuneração, esse processo contribui para a manutenção da divisão de classes no Brasil e o preconceito linguístico.
Outro fator é a questão cultural, o Brasil é um país com uma grande gama de diversidades culturais, em um mesmo estado é possível ver culturas diferenciadas na pronuncia das palavras. Essa dissemelhança leva a algumas regiões a sofrerem preconceito linguístico, principalmente a região nordeste. Era comum em novelas, filmes e séries retratarem os personagens nordestinos como inculto, grosso, sendo caçoados pelo sotaque. Personagens caipira, sendo considerados jocosos, tudo isso sempre contribui para a população das outras regiões olharem para as pessoas dessas regiões com preconceito e inferioridade.
Portanto, é importante que a academia brasileira de letras, juntamente com a escola, através dos professores estimulem a cultura da linguagem brasileira, de acordo com cada região, estimulando a diversidade, através de programas, palestras, pesquisas para os alunos e para a família, auxiliando assim a sociedade diminuir o prejulgamento no falar.