Preconceito Linguístico

Enviada em 08/09/2020

No ano de 2020, durante o reality show Big Brother Brasil, a participante Gizelly que é uma advogada criminalista da capital do Espírito Santo, demonstrou nitidamente em um dos jogos de interação o seu preconceito linguístico contra a participante Flayslane, natural do interior da Paraíba. Gizelly votou para que Flayslane saísse do programa, argumentando se sentir irritada com o jeito da paraibana falar, isto é, o sotaque nordestino. Desse modo, é perceptível que o público que se manifestou por diversas causas levantadas no programa, ter ignorado um problema constante como o preconceito linguístico reforça a ideia de que esta pauta ainda não é discutida no meio acadêmico, político e social o que agrega à impactos maiores como segregação social, bullying e até mesmo afetação nos campos financeiros, sociais e também psicológicos das vítimas desse preconceito.

Nesse viés, a falta de discussão no meio acadêmico como forma de combate ao preconceito linguístico, relata a ausência de diálogos sobre a superiorização de sotaques entre os jovens e adolescentes, que em um futuro não muito distante irão repassar esse preconceito as demais pessoas do seu convívio, inclusive os seus descendentes, afundando o Brasil em um ciclo vicioso de preconceito, segregação e assédio moral. Logo, a defesa de Pitágoras seria uma das portas de saída do grande problema que vivemos atualmente: “Educar as crianças para que não seja necessário castigar os homens”, ensinando mais sobre a diversidade e variedade linguística encontrada no Brasil.

Ademais, a falta de mobilização social em relação ao respeito as diversas formas da língua portuguesa, e o descaso do setor politico brasileiro para mudar a situação, coloca o ambiente social atual no dilema moral do filosofo Immanuel Kant, que afirmava  que o preconceito era algo mutável, ou seja, para Kant o preconceito, tal como o linguístico, só é um problema quando o individuo é efetivamente e constantemente afetado, sendo um problema que nunca será sancionado a partir do setor politico, uma vez que é unicamente de interesse social. Portanto, a única solução para tal problema seria as palavras de Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo!”.

Em suma, a falta de educação sobre a diversidade linguística brasileira juntamente a ausência de mobilização e ação social contribuem para um problema enfrentado pelo Brasil que ocasiona em diversos outros problemas graves e críticos. Portanto, cabe ao Ministério da Educação incluir materiais didáticos sobre a variedade linguística do Brasil, implementar palestras à toda comunidade escolar afim de combater pelo principio o preconceito linguístico.  Como também cabe as mídias de entretenimento, pararem de estereotipar personagens baseando-os em suas condições linguísticas, como também a população como forma de protesto pararem de consumir a comédia as custas da moral alheia.