Preconceito Linguístico
Enviada em 12/09/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne ao preconceito linguístico no Brasil, percebe-se a configuração de um quadro entrópico, em virtude do caos presente na situação. Dessa forma, em razão da falta de debate e de uma lacuna educacional, emerge uma questão complexa, que precisa ser revertida.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente no problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, conforme o linguista Marcos Bagno, a língua é como se fosse um enorme iceberg flutuando no mar do tempo e a norma culta é apenas a parte mais visível de tal bloco de gelo. Sob esse viés, torna-se extremamente injusto inferiorizar pessoas por causa de variações linguísticas que não se adequam ao padrão. O Brasil é bastante plural e a língua falada no país reflete essa diversidade. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre o preconceito linguístico em território nacional, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre tal mazela social, tornando sua resolução mais dificultada.
Além disso, outra causa para a configuração do problema é uma base educacional lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange ao preconceito linguístico, nota-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e de prevenir a problemática, visto que, infelizmente, ainda existe uma forte cultura de bullying contra quem se expressa fora do padrão oficial da língua portuguesa. Logo, nota-se que as instituições de ensino não têm trazido esse tema para as salas de aula.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão no ambiente escolar, por meio de eventos contando com a presença de linguistas, sociólogos e brasileiros que foram vítimas desse tipo de discriminação. Tais eventos devem ser realizados no período extraclasse, sendo abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam os prejuízos e as consequências do preconceito linguístico na sociedade atual e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, com o caos entrópico contido na situação diminuindo, poder-se-á consolidar um Brasil melhor.