Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2020
É notável, no decorrer da história do Brasil, a influência de diversos povos na composição da identidade nacional. Tal pluralidade foi primordial na composição cultural de nosso país e é exteriorizada por meio da variedade linguística. Todavia, as distinções socioculturais e a predileção direcionada à uma determinada variação, tornam o preconceito linguístico um desafio que precisa ser enfrentado.
Em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, Marcos Bagno define o preconceito linguístico como todo juízo de valor negativo às variedades linguísticas de menor prestígio social. Diante da definição de Bagno, cabe ponderar que tal forma de discriminação reflete a desigualdade social e educacional do Brasil. Nesse contexto, regiões que são historicamente favorecidas tendem a ridicularizar os falantes de locais marginalizados, ofendendo a dignidade e tratando pejorativamente tais falantes, como é o que ocorre com os nortistas e os nordestinos, por exemplo. Outrossim, é válido enfatizar o papel da escola, que limita as formas de comunicação entre os cidadãos, partindo da concepção de que a norma-padrão da língua portuguesa é unicamente correta e as demais variações são erradas e inferiores, o que potencializa o preconceito.
Ademais, cabe a análise histórica acerca da construção desse julgamento de que determinadas variações são desprezíveis. Nesse sentido, é indubitável que ao menosprezar as línguas indígenas e africanas, o colonizador revelava seu eurocentrismo, perpetuando a ideia de que seu idioma era superior. Por conseguinte, a sociedade brasileira tem suas raízes pautadas em princípios preconceituosos, reproduzindo o ponto de vista de que camadas sociais favorecidas se comunicam da maneira correta. Com isso, ainda que haja forte influência da indígena e africana no falar brasileiro, essas variações são, muitas vezes, inferiorizadas. Além disso, é preciso reconhecer que a própria mídia, ao utilizar o humor para ridicularizar determinadas variações linguísticas regionais, transmite a discriminação com a pluralidade linguística nacional.
Depreende-se, destarte, que o Ministério da Educação deve executar o princípio da Adequação Linguística, pelo qual não se fala “certo” ou “errado”, por meio de palestras e diálogos entre alunos e professores, para que o educador auxilie os estudantes na compreensão da importância das variações comunicativas e, além disso, que o ideal de que a comunicação se adequa de acordo com a situação seja reforçado. Somado à isso, a mídia deve unir-se ao Ministério da Cidadania, produzindo reportagens e documentários que apresentem para a sociedade a história da formação dos diversos sotaques existentes ao redor do território nacional, entrevistando pessoas que já sofreram preconceito linguístico, enfatizando a importância do fim dessa prática e a necessidade de tolerância.