Preconceito Linguístico

Enviada em 09/09/2020

O Brasil se originou da mistura de diferentes povos e culturas, sendo assim, é um país pluricultural. Porém, a linguagem, muitas vezes, acaba sendo instrumento de humilhação por pessoas mal-intencionadas e arrogantes. Por isso, há a necessidade de debater acerca do preconceito linguístico. Para tanto, destaca-se a desigualdade no sistema educacional, bem como a banalização desse tipo de discriminação pela mídia.

Primeiramente, é importante salientar que a desigualdade na educação brasileira gera a segregação entre grupos de pessoas que receberam educação de qualidade, majoritariamente oriundas do ensino privado, daquelas que não obtiveram uma educação adequada. Isso ocorre porque o País possui um sistema educacional público sucateado, que carece de infraestrutura e verba para garantir um ensino de qualidade. Consequentemente, o preconceito linguístico cresce e separa pessoas que não atendem à norma culta da língua portuguesa, muitas vezes deixando-as à margem da sociedade. Exemplo claro disso é que, segundo o IBGE, 52,6% dos brasileiros não concluíram a educação básica, fato revoltante.

Ademais, deve-se observar que a banalização do preconceito linguístico na mídia agrava esse cenário deletério. Isso se deve à naturalização que em filmes e novelas são usados esteriótipos de nordestinos, gaúchos, mineiros, entre outros, usando de seus dialetos para diminuí-los e depreciá-los. Nesse sentido, a população tende a reproduzir esse comportamento nas relações interpessoais, perpetuado essa problemática. Sob esse prisma, no filme “O Auto da Compadecida”, adaptação do livro de Ariano Suassuna, a figura nordestina é retratada por meio de falas e bordões vexaminosos, mostrando o nordestino como uma figura caricata, ilustração clara desse preconceito.

Portanto, haja vista a pluriculturalidade do País, é necessário adotar medidas para que a linguagem deixe de ser uma fronteira para a população, ao contrário, que passe a ser um fator de união entre os brasileiros. Desse modo, o Ministério da Educação em parceria com as escolas, deve promover uma educação inclusiva e de qualidade, por meio de oficinas e debates sobre o tema, além da ampliação de verba para a educação, a fim de diminuir a desigualdade educacional. Não obstante, cabe à população exigir da mídia o fim da esteriotipificação deletéria de culturas regionais brasileiras, por meio de campanhas opositórias pelas redes sociais, como “Twitter’’ e ‘‘Instagram’’, a fim de desfazer a imagem negativa de culturas marginalizadas. Posto isso, a consequência seria a coibição do preconceito línguístico.