Preconceito Linguístico

Enviada em 09/09/2020

O termo “mandioca, aipim ou macaxeira” é utilizado para se referir a uma planta presente na alimentação brasileira, o nome desse alimento se altera dependendo da região do país. Esse fato evidencia a diversidade em que a forma da língua portuguesa é falada no território nacional, o que têm como consequência o preconceito linguístico, e esse configura-se como uma chaga social que dificulta o desenvolvimento do Brasil. Este fato é decorrente, principalmente, da inobservância estatal e da indiferença da sociedade em relação ao tema.

Primeiramente, quanto ao papel do Estado, é importante voltar a atenção para o documento promulgado em 1988, conhecido como “Constituição cidadã”. Este garante, em seu artigo 3°, uma sociedade livre de preconceitos, apesar do contexto atual revelar a existência de práticas que divergem desse princípio. Com isso, é notório a dificuldade do poder público em concretizar seus mandamentos constitucionais, o que facilita a existência de descriminação devido à variedade linguística, isto é, a alteração no modo de falar o português dependendo do contexto social, educacional e geográfico, se diferenciando da forma gramatical formal, sendo assim, vista como inferior.

Em segundo lugar, é pertinente salientar que devido a forma de colonização do Brasil, houve uma grande divergência socioeconômica e cultural dos povos presentes no país, refletindo na língua portuguesa, tornando-se uma mistura de dialetos de raças e classes sociais. Como também, os europeus viam os idiomas africanos e indígenas como inferiores, logo, implantaram a língua europeia como a padrão e a correta. De certo, com essa afirmativa, é notório que o preconceito presente no período colonial continua até a era contemporânea e, constantemente é impulsionado pelas as instituições de ensino brasileiras, as quais, promovem um pensamento de que apenas a forma seguindo os padrões gramaticais é a adequada, portanto, utilizada como instrumento de coerção social.

Para minimizar a problemática da discriminação linguística, é fundamental uma política que adote a articulação de esforços entre governo e escolas. Logo, é inerente ao Estado, efetivar seus mandamentos constitucionais e em conjunto com o CONAR, que é responsável pela publicidade governamental, promover propagandas nas mídias sociais, acerca da importância das diversas formas de se falar o português para a cultura brasileira e a necessidade de se respeitar esse modo. Ademais, cabe às instituições de ensino estimularem o pensamento crítico de seus alunos, por meio da adição na grade curricular o estudo sobre os diversos formatos de expressão cultural nos diversos estados brasileiros e períodos históricos. Essas medidas visão à formação de indivíduos que questionem práticas como as supracitadas, para que desse modo o Brasil atinja o progresso.