Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

Em 1789, o movimento iluminista consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez dignidade humana a todos. No entanto, hodiernamente, no Brasil, ao observar os crescentes casos de preconceito linguístico, nota-se que tais direitos são negligenciados. Desse modo, deve-se analisar as causas e as consequências da problemática na sociedade.

É importante destacar, primeiramente, que a negligência do Estado é a principal responsável pela adversidade no corpo social brasileiro. Isso ocorre porque não há campanhas nacionais contra a intolerância linguística. Além disso, não há, nas escolas, professores capacitados para lidar com  a pluralidade linguística  o que o país possui, o que agrava ainda mais o problema, pois a escola é o lugar das diferenças, e também o lugar onde as crianças têm contato com outras culturas e outros grupos sociais. Assim, a falta de incentivo Estatal em campanhas e capacitação de docentes tem como produto final o preconceito.

Outrossim, seria ingênuo não observar que a mídia também é responsável pelo problema. Isso acontece porque nas redes sociais e em programas de televisão, os falares do campo são tidos como engraçados e esses grupos acabam sendo marginalizados pela forma como falam. Desse modo, segundo defende o filósofo Mikhail Bakhtin, a sociedade é carnavalizada, ou seja, o riso é capaz de desconstruir um grupo marginalizado e reafirmar o preconceito. Consequentemente, a dignidade consolidada pelo Iluminismo é experimentada por poucos privilegiados

Evidencias-se, portanto que o Estado e a mídia são agentes do preconceito linguístico na sociedade brasileira. Logo, o governo, deve promover palestras e seminários contra a discriminação linguística. Ademais, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar programas de capacitação de professores com o intuito de promover melhor compreendimento das variantes da língua. Além disso, o Ministério Público, pode promover, através de um disque denúncias, queixas contra condutas preconceituosas à grupos excluídos, por meio de ações judiciais. Dessa forma, a intolerância linguística não será mais um problema para a sociedade brasileira.