Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2020
A fala como forma de expressão é imanente à integração do indivíduo na sociedade, porém se a sociedade é marcada por desigualdades e concepções ideológicas errôneas, apresenta o surgimento do preconceito de um grupo em relação ao outro por sua forma de falar; fato que atenta contra direitos individuais.
No Brasil, devido ao trabalho infantil no campo e após o êxodo rural, formou-se uma sociedade com grande diferença socioeducacional entre quem pôde estudar e quem precisou trabalhar e migrar, permitindo à parcela socialmente privilegiada maior acesso à norma culta padrão da língua portuguesa, além de conectar pessoas de diferentes regiões do país ao mesmo espaço. Deste modo, concebeu-se em parte da sociedade o prejulgamento de que a fala ou sotaque, muito distante da norma culta, representa inferioridade, mas esse pensamento é uma simplificação preconceituosa da realidade.
Assim, o preconceito linguístico desconsidera que cada indivíduo ao trazer em sua fala características próprias de sua origem, seu conhecimento e sua vivência, representa a verdadeira linguagem. como comunicação e cultura. Ademais, em uma sociedade democrática, a fala se firma como ferramenta de conexão com o mundo social em seus direitos e deveres, isto é, por meio da sua linguagem o indivíduo deve ter voz na democracia, o preconceito linguístico cria uma relação de prejuízo ao pleno exercício da cidadania.
Desta forma, o preconceito linguístico afronta a Constituição, ao romper com o direito de expressão, além de poder configurar tratamento desumano e degradante. Portanto, cabe ao poder público promover um amplo debate afim de conscientizar a sociedade e, a partir de então, promover a criminalização do preconceito linguístico.