Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2020
A obra cinematográfica “Minha Bela Dama” relata a história de Henry Higgins, um professor de fonética que é desafiado a transformar Eliza Doolittle, uma jovem florista reputada por sua fala, em uma dama. Concomitante a isso, no Brasil torna-se crescente a preocupação com o preconceito linguístico, fenômeno que atinge a indivíduos diversos e que deve ser analisado e superado de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Declaração dos Direitos Humanos quanto aos direitos que asseguram o bem-estar social e a qualidade de vida do indivíduo, dentre eles, o acesso a educação e a liberdade de expressão. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contrate pode ser refletido no atual cenário brasileiro, no qual a população, vítima do preconceito linguístico, é impedida de expressar-se plenamente, visto que a linguagem é elemento intrínseco a existência e liberdade do indivíduo e seu ensino deve ser garantido pelo Estado.
Faz-se mister, ainda, salientar os fatores etiológicos e impulsionadores do emblema, como o preconceito com as variações linguísticas presentes no Brasil, por parte da sociedade. Segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez e o individualismo intrínsecos nas atuais relações humanas, bem como a transferência do ideal de melhoria coletiva para a de ascensão própria, corroboram com o fenômeno da depreciação da variação linguística e viabiliza a disseminação de atos difamatórios e degradantes no meio social, como o preconceito linguístico, além de legitimar o não cumprimento dos direitos inatos dos indivíduos.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação, juntamente com o setor midiático, promova campanhas e palestras com o intuito de alertar e conscientizar a sociedade quanto ao preconceito linguístico e suas consequências. Ademais, cabe ao Estado a revisão e distribuição adequada de verbas destinadas ao ensino da linguagem a população, a fim de garantir o direito inato do indivíduo. Dessa forma, o Brasil pode superar o preconceito linguístico.