Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

O preconceito linguístico ocorre, segundo o site “O Globo”, quando alguém humilha, com risadas e apontamentos, uma pessoa que não fala segundo a norma culta da língua portuguesa. Dessa forma, tal prática intolerante atua como uma forma de violência. Diante desse cenário, é importante analisar as consequências dessa problemática.

Em primeiro plano, vale destacar que o preconceito linguístico denuncia não apenas a intolerância ao diferente, mas também a precariedade da educação no Brasil. Isso porque o uso de uma linguagem coloquial é mais comum em pessoas que não puderam frequentar ambientes acadêmicos, onde se exige um vocabulário mais formal. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística há mais de 11 milhões de analfabetos no país, o que revela que esse grupo não teve aulas de gramática ou fonética. Assim, humilhar alguém que não teve nem a oportunidade de ir à escola é uma forma de violência que deve ser combatida por todos.

Em segundo plano, o legado da discriminação linguística se dá de forma tanto coletiva como individual. Isso porque, com essas práticas violentas todo o tecido social perde, já que o preconceito linguístico viola cidadanias e questiona direitos fundamentais de todas as pessoas; além disso, quem sofre a discriminação por causa de sua fala tende a se isolar e sofrer psicologicamente. Nesse sentido, o personagem Chico Bento, apresentado no gibi “Turma da Mônica”, criado pelo escritor Maurício de Sousa, retrata a consequência do preconceito linguístico para a vítima: a exclusão.

É evidente, portanto, que a discriminação linguística é  uma prática que precisa ser discutida e combatida. Para isso, cabe ao Ministério da Educação preparar rodas de conversas, palestras e ações, nas escolas e mídias, voltadas ao enfrentamento de tal problemática, com professores de português, pedagogos e psicólogos, por meio de projetos que auxiliem na mudança comportamental em relação ao tema proposto. Espera-se, com isso, que haja uma diminuição drástica desse problema e que pessoas como Chico Bento parem de sofrer com a exclusão.