Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2020
Cordas Censuradas
A premissa da existência de uma sociedade superior às outras, física ou intelectualmente, caracteriza o Darwinismo Social. Desse modo, salienta-se a problemática do preconceito linguístico, dado que a sociedade elitista, tal como instituições escolares, insistem em valorizar apenas a forma padrão da língua, desqualificando o dialeto popular. Outrossim, é indubitável que a influência da mídia, em consonância ao caráter de superioridade da população, evidenciam esse problema.
Vale ressaltar, a princípio, o reflexo da Segregação Socioespacial – sistema que delimita o espaço, assim como a posição do indivíduo, de acordo com aspectos raciais, sociais, culturais e econômicos- ilustrado na mídia e seus meios de propagação. Isso ocorre devido à vinculação da figura nordestina, por exemplo, à pobreza e a marginalidade, de modo que, com a finalidade de promover gracejo por meio do sotaque deste povo, o setor midiático expõe essa camada ao desrespeito e desvalorização. Sob tal ótica, é possível perceber este argumento a partir da análise crítica ao filme O Auto da Compadecida, que ilustra as aventuras de dois nordestinos que vivem de golpes para sobreviver, sempre enganando o povo de um pequeno vilarejo do sertão da Paraíba.
De outra parte, é importante salientar também que há uma ‘universalização’ das culturas pelo Ministério da Educação já que ele impõe, através das escolas, uma norma culta padrão sem levar em conta, por exemplo, localizações geográficas e os aspectos culturais de cada região. Sendo assim, não deve haver uma separação entre aqueles que falam “corretamente” e aqueles que falam “errado”, pelo ao contrário, as variedades padrão e não padrão devem ser respeitadas e seu uso condicionado ao contexto comunicacional no qual o falante está inserido. Ou seja, cada situação pede desse falante um comportamento linguístico específico, por exemplo, um médico deve adequar o uso de termos técnicos utilizados na medicina ao passo que o paciente apresente intendimento do vocabulário.
Fica evidente, portanto, que o preconceito da língua na sociedade brasileira deprime a imagem do público alvo, necessitando, dessa maneira, de medidas enérgicas para minimização do problema. Logo, Governo, na figura do Ministério da Educação, deve promover um sistema de visibilidade não só da expressão padrão nas escolas, mas também do dialeto popular. Isso pode ser feito por professores capacitados e por meio da discussão, em sala de aula, de análises literárias modernistas, que tem como característica principal a liberdade linguística, a fim de expor as diferentes modalidades dessa.