Preconceito Linguístico

Enviada em 09/09/2020

Na época da colonização do Brasil por Portugal, houve a imposição da língua portuguesa a todos os que residiam na colônia, como os índios e, posteriormente, os escravos vindos da África. Paralelo a isso, atualmente, no Brasil, a mentalidade de colonizado ainda ecoa na linguagem por meio do preconceito linguístico, que é discriminar aqueles que não se expressam de acordo com a norma culta. Diante disso, tal preconceito fere a dignidade pessoal de quem o sofre e usa da língua para acentuar distinção de classes, aumentando o abismo social.

Primeiramente, deve-se notar que o preconceito linguístico atenta contra a honra pessoal. Nesse sentido, o filósofo Michael Foucault, no livro Microfísica do Poder, mostra os mecanismos de dominação na sociedade, o que se pode aplicar ao uso da língua, já que ela, desde a colonização, é uma forma de opressão no Brasil. Para exemplificar, pode-se citar o caso do médico Guilherme Capel que, ao receber um paciente com pouca escolaridade, riu da forma como ele pronunciou as palavras pneumonia e raio-x, além disso, o médico publicou sobre o ocorrido nas redes sociais.

Ademais, essa forma de preconceito frequentemente está ligada à condição social. Nesse contexto, pode-se citar a aversão existente quanto aos dialetos usados por alguns grupos no meio artístico, tal como ocorre com o R.A.P. e funk, dois estilos muito difundidos entre as classes sociais mais baixas. Ora, sendo assim, o preconceito linguístico está atrelado a um preconceito social, de tal forma elitista, que reforça a tese de que a língua é um meio de opressão utilizada para a separação de classes.

Portanto, mostra-se necessário combater o preconceito linguístico a fim de atenuar a divisão social e opressão que ele gera. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir no currículo escolar matérias que tragam reflexões sobre a pluralidade linguística e o preconceito relacionado a língua, relacionando-as com outras áreas do conhecimento, como sociologia e filosofia, a fim de que os alunos se conscientizem das consequências deste ato já enraizado na cultura brasileira.