Preconceito Linguístico
Enviada em 13/09/2020
Preconceito linguístico, de acordo com o linguista Marcos Bagno, é todo juízo de valor negativo às variedades linguísticas de menor prestígio social. Nesse contexto, convém analisar alguns aspectos, como fatores socioeconômicos e a idealização da língua.
O filme O Aluno mostra, por meio do personagem principal, os entraves que um cidadão pobre enfrenta para ter acesso à educação. Fora da ficção, essa realidade não é diferente: com esse direito básico sendo negligenciado muitas pessoas distanciam-se da língua falada pela elite - a qual acredita que seu modo expressar a língua é o único correto- e, consequentemente, sofrem bastante preconceito. Como exemplo do desleixo estatal com a educação, convém citar dados do IBGE de 2019, os quais mostram um grande número de analfabetos no Brasil: cerca de 11,3 milhões.
Outro ponto a ser analisado a partir da definição de Marcos Bagno é a idealização da norma culta. De fato, é necessário que haja uma padronização da língua portuguesa para que a comunicação entre os falantes seja coesa e clara. Contudo, é um equívoco formular apenas uma maneira correta de escrever e falar tal idioma. Ademais, é impossível esperar que mais de 200 milhões de brasileiros- dados do IBGE- se expressem de apenas uma forma, e ainda, ditar qual seria o modo correto. Nesse contexto, os dados do site educação.cc evidenciam bem tal diversidade: estima-se que no Brasil exista em média 16 sotaques.
A partir desses fatos, faz-se necessário ações que combatam o preconceito linguístico. Logo, a escola, a qual é responsável pela formação básica, deve ensinar aos alunos por meio de aulas interativas, jogos e leitura a norma culta brasileira. Porém, também ensiná-los a respeitar as variações do idioma. Dessa forma, espera-se construir uma sociedade que respeite todas as interpretações de seu idioma.