Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

Segundo o filósofo Kant, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem os mesmos direitos e deveres, entretanto, o preconceito linguístico, no Brasil, segue um rumo contrário ao pensamento, devido à construção social que oprime tudo que é diferente. Assim, é necessário que o Estado reveja suas políticas públicas em relação a esse julgamento, a fim de combater a marginalização das classes e de auxiliar a preservação da diversidade verde-amarela.

A priori, conforme o pensamento de Paulo Freire, a respeito da pluralidade cultural, não há como saber mais ou saber menos do que outros indivíduos, mas há como ter conhecimentos distintos, o que significa que o modo de falar e agir não caracteriza o cidadão. Diante disso, os efeitos dessa discriminação ilógica foram ampliados com o passar dos anos, posto que, desde a época colonial, os europeus impuseram seu idioma sobre os índios, rompendo qualquer direito existente, contexto potenciliazado, atualmente, nas redes sociais. Destarte, para exemplificar como o cenário tem afetado a população, um estudo de Chicago concluiu que a pronúncia de um candidato pode conduzir uma penalização de até 20% em seu salário, de modo a demonstrar na prática a presença do preconceito linguístico. Sendo assim, percebe-se a dificuldade de reverter esse quadro e como algumas chagas seculares continuam vivas na contemporaneidade.

Outrossim, de acordo com as ideias de John Locke, esse panorama configura-se em uma ruptura do “contrato social”, já que o Estado deve garantir a isonomia no campo educacional, porém, não assegura para uma parcela civil. Sob esse viés, além dos diversos sotaques brasileiros, a falta de estudo atua como grande fator nesse contexto, visto que a existência da norma padrão culta é ensinada apenas para os privilegiados, considerada, de forma errônea, como a meneira certa de falar. Dessa forma, como exemplo, é comum em festas juninas pessoas usarem como “fantasia” a figura do caipira, reproduzindo seu modo de conversar com os demais, apontado como pretexto para risadas, já que, em sua maioria, por possuírem baixa escolaridade tem seu próprio linguajar. Em síntese, urge a necessidade de medidas públicas que liberte o âmbito social desse preconceito em prol da igualdade.

Dado o exposto acima, verifica-se a necessidade de reverter esse panorama, portanto, é preciso agir para minimizar tais questões. Assim, cabe as escolas debater sobre a importância do tema com os alunos, demonstrando todas as formas de diálogos, por meio de palestras e na disciplina de gramática, com intuito de promover a conscientização e aletar que desde o baiano até o paranaense a língua correta é a brasileira. Ademais, a mídia, como principal influência atual, poderia abordar maneiras de como lidar com essa discriminação, já que muitas vezes é passado desperbecebido.