Preconceito Linguístico

Enviada em 11/09/2020

A função da linguagem é a comunicação. Nesse sentido, quando Oswald de Andrade questiona o uso da próclise no poema Pronominal, ele deixa intuitivo que a gramática normativa não é rigidamente respeitada durante o dia a dia da população, pois existe vícios de linguagens que a deixam mais fluida e compreensiva em dados locais e momentos.Todavia, o preconceito linguístico existe e tenta minimizar tudo que fuja da norma, tanto por um desejo de marginalizar as pessoas, quanto por uma falta de instrução sobre os elementos que variam uma língua. Logo, precisa ser combatido.

A princípio, para ter um entendimento  sobre todas as regras linguísticas brasileiras é necessário estudo. À vista disso, exigir que uma população tenha conhecimentos universais sobre esse tema é basicamente uma utopia, visto que o nível de escolarização dos brasileiros é muito baixo: aproximadamente 6% da população é considerada sem instrução, assim como quase 50% fica entre aqueles sem ensino médio completo- segundo o IBGE. Desse modo, o preconceito linguístico trata-se de uma forma de exclusão de sujeitos  e elitização de certos grupos sociais que conseguem ter uma alta escolaridade, uma vez que o conhecimento da língua também se refere aos privilégios que a pessoa teve, tais como, uma educação de qualidade.

Além disso, a construção do português brasileiro foi feito com a miscigenação de inúmeros códigos, como, por exemplo, o indígena e o africano. Nessa lógica, é visível que a língua não estaria parada no tempo e imóvel, já que cada região teve uma colonização particular e diferenciada. Outrora, na chegada dos padres jesuítas no Brasil, muitas palavras foram modificadas e incorporadas para que houvesse uma comunicação entre sujeitos, tais como o código “capivara”, o qual veio do tupi. Sendo assim, criticar alguém por não usar o que  é considerado " linguajar correto" é ignorar todos os fatores regionais e históricos da construção de cada corpo social. Consequentemente, a discriminação linguística refere-se muito a não compreensão de que o código tem variações, principalmente, em um país tão grande.

Em síntese, o preconceito linguístico é uma problemática, porque ele tanto excluí pessoas, quanto ignora a individualidade de cada local. Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da  Comunicação, Tecnologia e Inovações, em parceria com o da Educação, produza uma campanha com o intuito de diminuir a prática da intolerância linguística.Nessa lógica, por meio da criação de propagandas televisivas, vinculadas ao horário nobre, o Ministério mostraria várias gírias, sotaques e modos de falar de cada região, priorizando mostrá-las de maneira respeitosa sem valorizar mais uma em detrimento de outra.