Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

De acordo com Pierre Bordieu, sociólogo francês, certos saberes são mais valorizados do que outros. Nesse contexto, a problemática do preconceito linguístico é preocupante, pois é utilizado como instrumento de poder. Além disso, gera reflexos na sociedade, como marginalização social e perda linguística.

No livro “Preconceito linguístico: O que é e como se faz”, Marcos Bagno defende que o conhecimento da gramática culta é utilizado como instrumento de distinção e dominação culta. Dessa forma, falantes da norma padrão são enaltecidos e caracterizados como aptos para ocuparem posições de destaque. Enquanto isso, pessoas que praticam variações da língua são ridicularizadas.

Contudo, o constrangimento gerado pelo desprezo de variantes linguísticas é intrínseco à perdas na língua e à marginalização das pessoas. Em seu poema “Pronominais”, Oswald de Andrade retrata que o bom cidadão brasileiro fala para ser entendido. Assim, apesar de sua fala ser compreendida, falantes da linguagem popular são excluídos e passam a evitar seu uso, o que ocasiona o desaparecimento de dialetos e de palavras com significado cultural.

Portanto, medidas devem ser tomadas para minimizar o preconceito linguístico no Brasil. Para isso, o Ministério da educação deve realizar a abordagem deste assunto, nas escolas por meio de palestras e inclusão nas aulas de português, e nas mídias com campanhas de conscientização. Essa ação objetiva informar a população sobre a variação linguística e incentivar a aceitação de diferentes linguagens populares.