Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

É inegável que o preconceito linguístico tornou-se tema recorrente no Brasil. Isso se deve, infelizmente, a falta de estímulos a autonomia individual, na qual somente a norma culta é incentivada nas escolas, tendo perdas irreparáveis para a cultura e história do Brasil; também, destaca-se, a falta de empatia com outros modos de falar, resultantes do etnocentrismo enraizado na sociedade brasileira. Portanto, medidas devem ser tomadas no intuito de combater esse prejulgamento no Brasil.

Em primeiro lugar, é preciso entender que o preconceito linguístico advém de um sistema de ensino que não valoriza a autonomia do aluno. Em detrimento disso, todos aprendem a forma culta da língua, com regras e modos impostos, e tudo aquilo que foge a esse padrão não é aceito. Por isso, Paulo Freire em seu livro “Psicologia da Autonomia” escreve que a autonomia deve ser seguida como uma forma de crescimento pessoal, tendo como consequências a valorização da cultura e o resgate histórico dos povos. Segundo a Pesquisa Nacional por amostra de Domicílio (PNAD), o Brasil ainda possui 11 milhões de analfabetos, tornando o preconceito no país ainda maior pelas diferenças sociais e econômicas de acesso ao ensino básico.

Consequentemente, o Brasil mostra-se preconceituoso pela falta de empatia com as variações linguísticas do país. De acordo com Milton Santos, geógrafo brasileiro, o brasil é um país essencialmente heterogêneo. Em sua visão, Milton classificou a nação em 4 brazis porque ele entendeu que cada região tem as suas particularidades. Dessa forma, negros, nordestinos, pobres e analfabetos sofrem muito mais preconceito linguístico do que outros povos no brasil, devido o etnocentrismo presente na sociedade brasileira. Em conformidade, Marcos Bagno, em seu livro “preconceito linguístico” constata que no Brasil a discriminação e a exclusão são voltados para grupos menos favorecidos economicamente, e que isso é resultado de uma sociedade ignorante, intolerante e manipulada ideologicamente. Para Bagno, os meios de comunicação são responsável por disseminar o preconceito quando valorizam a gramática em detrimento do modo de falar cotidiano.

Em suma, não há dúvidas de que é necessário combater o preconceito linguístico no Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve fomentar, por meio de programas de pós-graduação, a formação de professores em metologias ativas e diminuir a diferença social, por meio de projetos voltados a educação básica como o analfabetismo zero, com o objetivo de estimular a cultura da autonomia do aluno, fazendo-o perceber as diversas variações linguísticas do país e respeitar as diferenças. Espera-se com essa ação, a diminuição do analfabetismo e uma melhor adequação a fala popular. E, só assim, pode-se-á minimizar os efeitos do preconceito linguístico no Brasil.