Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

No romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o quixotesco personagem, que dá título ao livro, cria algumas fantasias em relação à pátria, o que o conduz ao seu declínio após ser traído por seus ideais. Fora das páginas literárias, o preconceito linguístico, no Brasil, contribuiria para potencializar as decepções de Quaresma, seja pela falta de intervenção estatal, seja pela escassez de políticas públicas. Nesse sentido, é necessário analisar os principais aspectos políticos e sociais que envolvem tal postura degradante para a nação.

Primeiramente, é valido destacar a inópia de políticas públicas atrelada ao desrespeito com o sotaque alheio. Assim, promulgada no Governo José Sarney, a Constituição Federal elucida que todos os cidadãos tem direito à liberdade, com absoluta prioridade. Entretanto, hodiernamente, tal panorama é utópico, uma vez que, de acordo com o jornal “O Globo”, o Brasil é composto por diferentes regiões, culturas e linguagens, o que gera diversidade ao território nacional. No entanto, essa diferença de fala, principalmente a diatópica, desenvolve, equivocadamente em alguns civis, a ideia de determinismo linguístico, colocando um modo de falar como superior em relação aos outros, desencadeando a opressão, o preconceito e a aversão ao sentimento nacionalista, gerando conflitos dentro do território nacional. Logo, é dever dos governantes a criação de ações para prevenção do impasse.

Outrossim, cabe pontuar, ainda, a carência de incentivos estatais para preservar a heterogeneidade linguística  nacional. Por conseguinte, segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio dela, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Contudo, evidencia-se a omissão do poder público em realizar medidas para despertar a necessidade e a importância do respeito para com as diferentes linguagens verbais dos cidadãos, haja vista que, conforme dados do “G1”, um dos principais motivos da falta de respeito entre as diferenças de fala, é a escassez de contato da população com as variedades brasileiras, demonstrando a inópia de integração entre essas diversidades. Nesse prisma, o desprovimento de medidas públicas agrava o quadro caótico.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações para garantir o respeito linguístico entre os cidadãos. Assim sendo, urge que o Governo, instituição encarregada de garantir o direito dos cidadãos, crie leis criminalizando o preconceito de comunicação, que penalize os criminosos com multas, para que a luta contra o desrespeito de linguagem seja efetivada. Ademais, o MEC, ramo do Estado responsável pela formação civil, deve realizar uma ampla divulgação midiática, por intermédio das redes sociais, acerca da diversidade linguística e a sua origem, a fim de informar a população e  de garantir o respeito mútuo. Destarte, tomando essas medidas, as decepções de Quaresma seriam mitigadas.