Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

Durante a Roma antiga, o latim tinha duas segmentações em que diferenciava e estratificava a sociedade, responsável pela desigualdade e preconceito preponderante na época, pois a alta cúpula social dominava o latim clássico e os soldados usavam o latim vulgar. Nesse contexto, não tão distante, encontra-se o Brasil, o qual o preconceito linguístico é algo comum em que ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também pela deturpada concepção da sociedade com o uso social da linguagem.

Inicialmente, a Constituição de 1988 garante igualdade e o combate a qualquer tipo de preconceito social, todavia, o poder executivo e legislativo não cumprem com essa obrigação constitucional. Segundo Aristóteles, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, porém, esse ideal filosófico encontra-se questionado no Brasil, pois o ínfimo investimento do governo em políticas públicas no combate ao preconceito linguístico e a falta do reconhecimento e valorização da diversidade cultural e social no país, caracteriza-se como um obstáculo.

Além disso, a concepção errônea da sociedade com a linguagem é um problema no Brasil, pois o preconceito linguístico é uma construção histórica que serviu como uma instrumento de manipulação e estratificação da hierarquia social, uma vez que a existência da descriminação linguística é um reflexo da valorização  dos  padrões criado pela consciência coletiva. No entanto, Segundo  Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos preconceituosos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança na estrutura social é fundamental para transpor qualquer tipo de preconceito social.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto que possa ser desenvolvido nas escolas, por meio de palestras e atividades artísticas sobre os problemas causados pelo preconceito linguístico e a importância da valorização e o respeito  em relação aos diversos tipos de manifestações linguísticos do país. - uma vez que ações coletivas têm imenso poder transformador- a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral, por conseguinte, conscientizem-se. Espera-se, com isso, que a diversidade linguística no Brasil seja algo de orgulho e não de preconceitos e conceitos pejorativos.