Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
“Biscoito ou bolacha? uns falam biscoito, outros falam bolacha!” Essa é uma parte de uma música feita pela Youtuber e Escritora Julia Tolezano - conhecida como “Jout Jout” - na qual ela evidência a variedade linguística existente no País, que graças a fusão de culturas durante a colonização do Brasil, houve a formação da língua portuguesa. Entretanto, vivencia-se no âmbito atual uma rejeição a esse legado histórico, uma vez que, atualmente, presencia-se o preconceito linguístico, sendo notória as suas consequências, como a exclusão social e o desemprego.
Antes de tudo, é importante salientar que, apesar do léxico brasileiro ter tido origem no Brasil colônia, foi também nesse período que o preconceito linguístico criou raiz. Isso porque os portugueses, quando entraram em contato com os nativos, julgaram a língua dos mesmos inferior, e oficializaram a língua padrão portuguesa sobre eles. Em decorrência disso, nos dias de hoje tem uma falsa ideologia de que a forma de falar determina o valor do individuo e seu potencial intelectual. A exemplo disso, em Serra Negra (São Paulo), um Médico debochou nas redes sociais de um paciente, que só estudou até o segundo ano do Ensino Fundamental, por ele ter falado as palavras “raio-x” e “pneumonia” de maneira diferente.
Outrossim, as classes mais escolarizadas utilizam o conhecimento da gramatica normativa como instrumento de distinção da parcela da população menos culta, muitas vezes, negando-lhes empregos, julgando-lhes simplesmente pelo falar. Contribuindo, infelizmente, para um maior número de desemprego e subemprego na população brasileira, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento em 2019 de 24,2% para 24,9% no índice de subemprego.
Torna-se evidente, portanto, a relevância de coibir as tendências descriminatórias relativas às diferenças linguísticas , cabe às Universidades e Escolas enquanto formadoras cidadã, promover e expandir tais discussões. Para tanto, devem ser realizados, no currículo da disciplina de Língua Portuguesa, planejamento voltados para um estudo mais aprofundado sobre as variedades linguísticas. Ademais, com auxilio de antropólogos, promover debates e explicações sobre a gênese dessas variantes e a sua importância para identidade brasileira. Nesse ínterim, pode ser realizados oficinas de leituras com as crianças e jovens que abordem os diversos dialetos, como também peças teatrais com manifestações regionais, que demonstram o valor do diferente. Com tais implementações, o preconceito linguístico poderá ser uma mazela passada na História brasileira.