Preconceito Linguístico
Enviada em 13/09/2020
Devido à extensão de seu território, dos altos índices de desigualdade e do longo histórico de miscigenação, a língua portuguesa no Brasil possui diferentes tipos de sotaques. Assim, o preconceito linguístico está intimamente ligado a essas variações pois quanto mais longe da norma culta o indivíduo se comunicar, mais chances de sofrer julgamentos sociais ele terá. Diante disso, surge a problemática social do preconceito da fala e escrita da população, ligada diretamente às condições socioeconômicas e geográficas do sujeito que se comunica.
Em primeira análise, cerca de 6,8% da população brasileira acima de quinze anos de idade é analfabeta, parcela concentrada principalmente nos estados do Nordeste, a região mais pobre do país, segundo dados do IBGE. Essas informações apresentadas estão relacionadas às condições econômicas dos habitantes da região nordestina. Ademais, a relação da pobreza com o analfabetismo se deve ao fato da população mais carente não ter acesso à educação ou a norma culta por meio de leitura, ficando vulnerável a discriminações quanto a maneira que se comunica. Deste modo, os fatores socioeconômicos influenciam diretamente na língua, contribuindo para a defasagem do ensino público.
De maneira análoga, durante o final do século XIX, houve um grande incentivo por parte do governo para que a mão-de-obra europeia substituísse a escrava. Italianos, alemães, espanhóis, entre outros, foram trazidos ao Brasil e se espalharam por todo o território. Desta maneira, dependendo das concentrações de imigrantes em determinadas regiões, juntamente a presença de negros e indígenas, foram criadas variações linguísticas particulares de cada local. Desta forma, não apenas as condições econômicas do indivíduo influenciam na fala, como também questões históricas e geográficas. Todos esses fatores apresentados são usados para a perpetuação do preconceito linguístico por não seguirem completamente a norma culta da língua portuguesa.
Portanto, medidas são necessárias para resolver a problemática. Posto isso, o MEC deve investir mais no Plano Nacional da Educação, a fim de que a cada ano a meta para a alfabetização seja alcançada, por meio de programas educacionais que insiram a população acima de quinze anos novamente em escolas, afetando principalmente as massas mais pobres. Ademais, o MEC deve conscientizar a população sobre o preconceito linguístico por meio de palestras e debates nas escolas públicas, a fim de que a juventude cresça consciente e diminua a perpetuação do problema. Se assim forem realizadas essas medidas, talvez o país alcance uma sociedade mais igualitária que faça jus à riqueza de cultura e variações linguísticas presentes no Brasil.