Preconceito Linguístico

Enviada em 13/09/2020

De acordo com Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. Não obstante, a questão da imensa quantidade de preconceito linguístico expressadas  brasileiros, os quais acreditam ser superiores, haja vista que possui determinado modo de falar ou escrever distinto de outrem, revela-se como uma injustiça, desestruturando a base da sociedade. Com isso, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico e da má influência midiática.

Em primeira análise, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma extinção do preconceito linguístico, a historia do Brasil. Segundo Claude Lèvi-Strauss, só é possível compreender o comportamento de uma sociedade hodierna, estudando o seu passado. Nesse sentido, faz-se extremamente importante romper com as raízes intrínsecas da antiguidade, uma vez que a discriminação no que tange a fala “correta” ou “errada” foi disseminada erroneamente no Brasil colônia, a priori, pela falsa glorificação dada a cultura europeia, o que inclui a norma culta portuguesa. Nesse pesaroso contexto, o reflexo disso na atualidade observa-se na tentativa do povo no “espelhamento” na linguagem das elites, a qual é vista por muitos como o modo “correto” de se falar, já que essas pessoas são as letradas e cultas. Assim, de maneira errada, floresce, cada vez mais, a necessidade de os indivíduos quererem imitar a linguagem da elite, e isso corrobora para a persistência do preconceito.

Outrossim, a divergente participação midiática ainda é um grave impasse para a resolução da questão. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, a mídia, em vez de aumentar o nível de informação da população, propaga a continuação do problema, haja vista que pouco discorre sobre a importância da variedade linguística do país. Dessa forma, são constante os exemplos dessa questão, como a veiculação de casos no que tange ao preconceito linguístico sem ao menos demonstrar as causas da persistência dessas atitudes e a necessidade de desvincular com essas práticas equivocadas. Sendo assim, erroneamente, os brasileiros começam a “aceitar” essas questões como corriqueiras, e isso auxilia ainda mais para o distanciamento da resolução do problema.

Portanto, para que consiga diminuir o preconceito linguístico na sociedade brasileira, faz-se peremptório, que, o Ministério da Educação, órgão que regula a educação em âmbito nacional, através do Programa Nacional do Livro Didático, deve atualizar os livros de histórias e que relacionem esse preconceito hodierno ao seu passado. Desse modo, objetiva-se que os cidadãos compreendam o motivo do problema e que evitem a perpetuação do mesmo, destarte a justiça que dialogava Aristóteles concretize-se.